Salão de Humor em Bodas de Rubi

Barjas Negri

O casamento da cidade com o humor gráfico completou 45 anos nesta edição. Bodas de Rubi. Não fosse um certo grupo de jornalistas e profissionais inconformados com os desmandos da Ditadura Militar, talvez o Salão Internacional de Humor de Piracicaba não tivesse criado raízes. Foi a busca pela reflexão por meio do humor que, lá no início, trouxe o apoio de artistas como Ziraldo, Zélio, Millôr Fernandes e do famoso tablóide da época, O Pasquim. A participação deles junto aos nossos ’meninos maluquinhos’, contribuiu para o surgimento deste que, hoje, é reconhecido e respeitado internacionalmente como um dos mais importantes eventos das artes gráficas.

Nesta edição emblemática chegaram ao Centro Nacional de Divulgação do Humor (Cedhu), responsável por organizar toda a estrutura e programação desse mega evento realizado pela Secretaria Municipal da Ação Cultural e Turismo (SemacTur), 2.638 obras assinadas por 201 artistas de 53 países. A partir daí, foram selecionados os 427 trabalhos que compõem a mostra principal.

Entre os personagens e temas que predominam na exposição montada no Armazém 14 (Armazém Henfil) do Engenho Central, é possível destacar o presidente dos EUA, Donald Trump, o drama dos refugiados, a política e a justiça nacional. A tecnologia e as redes sociais também foram fontes de inspiração para os artistas, sem falar na temática Assédio, explorada para uma premiação especial.

Aqui cabe refletir sobre a abrangência, o caráter democrático e agregador do nosso Salão de Humor. Quando Piracicaba o sedia, passa a reunir o mundo em absoluto clima de paz e harmonia. Iranianos, turcos, americanos, canadenses, franceses, portugueses, latinos em geral e pessoas de tantas outras nacionalidades, se apresentam e se expressam sem censura ou discórdia. Pela leveza do traço e do foco encontrados pelo artista, mesmo assuntos controversos e difíceis podem ser bem digeridos, podendo levar quem os observa a uma outra dimensão e compreensão.

De outro lado, a própria prática e estrutura do evento demonstra isso. Além da mostra principal, este ano acontecem mais de 20 outras atividades paralelas até o mês de outubro. Por exemplo, a Casa do Povoador abriga caricaturas da artista iraniana que cresceu em Shiraz e hoje vive na Filadélfia/EUA, Nasrin Sheykhi. Ao lado da mostra principal podem ser vistas as Mulheres do Mundo, que reúne trabalhos de artistas do Brasil, Finlândia, Portugal, Espanha, Colômbia, Japão e Itália. No mesmo armazém estão expostas as obras dos Papa Salões, ou seja, aqueles mais premiados em todo o mundo.

Aliás, a própria solenidade de abertura foi mais um destes momentos. Nela foi renovada a parceria de muitos anos com o PortoCartoon-World Festival, mais uma vez representado por seu organizador Luis Humberto Marcos, frequentador assíduo do evento. Animando a noite, Fernando Caruso trouxe um bem humorado presidente da república que foi seguido pela apresentação da Banda O Conjunto Nacional, liderada pelos irmãos Paulo e Chico Caruso.

Encerrando, em tempos bicudos, vale lembrar da colaboração financeira que o Salão traz aos seus ganhadores. Foram distribuídos nesta edição um total de R$ 55 mil entre os vencedores das categorias charge, cartum, caricatura, tiras/histórias em quadrinhos, prêmio temático e o Grande Prêmio ­ Troféu Zélio de Ouro. Longa vida ao Salão Internacional de Humor de Piracicaba! Mais 45 anos de riso, união e reflexão!