Saúde confirma duas mortes por febre maculosa

Segundo a pasta, com o tempo mais seco, a reprodução do carrapato-estrela tende a crescer e isso traz preocupação. (foto: Amanda Vieira/JP)

Em 2019, a Secretaria de Saúde já registrou três casos de febre maculosa na cidade. Destas confirmações, dois pacientes evoluíram para óbito e um para cura. “Em 2018, ocorreram mais quatro casos, tendo um evoluído para óbito e três para cura”, informou a pasta em nota.

É importante lembrar que, neste período “considerado de seca”, a tendência é aumentar a proliferação de carrapatos nas áreas verdes e margens de rios, córregos e lagoas.

Conforme informou a assessoria da prefeitura, em Piracicaba, “existe um fator adicional, que é o rio Piracicaba e as colônias de capivaras que vivem nas matas ciliares, animais hospedeiros dos transmissores da febre maculosa: o carrapato-estrela”.

Esses roedores ampliam a possibilidade de transmissão da doença por transitarem de um local para outro em busca de alimento.

Por isso, a Secretaria de Saúde alerta sobre o risco de contaminação pelo carrapato-estrela para quem costuma visitar essas áreas endêmicas. “É preciso muito cuidado quando se faz uma atividade de lazer com a família em áreas verdes, por exemplo, ou, ainda mais, quando se vai pescar, porque as pessoas ficam expostas ao carrapato, principalmente as crianças”, enfatiza Eliane Carvalho, médica veterinária e coordenadora do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ).

A orientação da profissional técnica não é de alarme, mas de alerta, “para que se evite a permanência principalmente às margens dos mananciais, porque não são seguras”. Em caso de exposição ao carrapato, é fundamental que, logo em seguida, os pais observem se não há nenhum no corpo das crianças e no próprio corpo.

Caso seja encontrado, deve ser retirado imediatamente, antes que ele se fixe, tenha contato com a corrente sanguínea e transmita a bactéria causadora da febre maculosa, caso esteja contaminado. Se isso acontecer, os sintomas podem demorar de dois a 14 dias para aparecer.

Caso apresente os sintomas, procure o serviço de saúde mais próximo informando o local onde esteve e se retirou/foi picado por carrapato. O tratamento é feito com antibióticos específicos, iniciado já na suspeita clínica, sem aguardar a chegada de exames que comprovem ou não a doença. “É importante saber que o famoso micuim também é o carrapato na fase jovem e também transmite a doença se estiver contaminado”, enfatizou a veterinária. “Muitas vezes as pessoas relatam que foram em áreas verdes e pegaram apenas micuim.

Na verdade, pegaram carrapato. É preciso ter essa consciência para que se tenha um diagnóstico seguro em caso de suspeita da doença”, detalha. A técnica explica ainda que além das capivaras, os cavalos também são hospedeiros do carrapato estrela, o que não acontece com os cães.

No entanto, eles também apresentam riscos. “Os cães não são hospedeiros e não são agentes naturais no processo de transmissão da febre maculosa. Mas ocasionalmente podem transportar o carrapato contaminado para o local onde vivem, se eles tiverem acesso às áreas de infestação.

Com isso, as pessoas que convivem com esses animais domésticos estarão indiretamente expostas ao carrapato”, detalhou Eliane. “Daí a importância de mantê- -los sempre limpos”.

Da Redação