Secretária municipal é convocada a esclarecer problemas da Educação

A secretária de Educação de Piracicaba, Angela Jorge Corrêa, foi convocada para uma reunião na Câmara para prestar esclarecimentos sobre as denúncias de superlotação, falta de funcionários e de estrutura na rede municipal de ensino. A convocação ocorre após a Casa sediar quatro debates com o Movimento Luto pela Educação, que expôs as denúncias. A reunião, aberta para a população, acontece no dia 11 de abril, no plenário, às 19h30. A convocação foi oficializada através de requerimento do vereador Jonson Oliveira (PSDB). 
 
O tucano afirma que a ideia da reunião surgiu após a apresentação das denúncias do grupo independente Luto pela Educação, formado por docentes da rede. “Como algumas denúncias são meio graves, achei por bem a convocação. Pedi que fosse público (a reunião), até para que não haja dúvida do que foi tratado, e ela (secretária) aceitou”, disse. 
 
Conforme publicado pelo JP no domingo (25), o Luto pela Educação fez um levantamento que aponta que 42% das escolas de educação infantil possuem pelo menos uma sala superlotada. O caso foi denunciado ao MPE (Ministério Público Estadual), que instaurou inquérito civil para apurar o caso.
 
A coordenadora do movimento, Vanessa Pupo, explica que a superlotação das salas faz com que outros problemas dentro das escolas fiquem mais evidentes. “Tem o caso da caneca. Tem todo um processo de higienização, é uma coisa que demanda tempo e a gente já tem falta de serviços gerais. Se uma turma de Jardim 2 com 25 crianças toma água quatro vezes ao dia, só essa turma, não sei se são as mesmas, mas vai ter uma rotatividade de 100 canecas, lavadas ou não. Uma escola que tenha 300 canecas, você pega quantas turmas têm, é uma loucura, porque as vezes não falta a caneca, mas falta o serviço geral que dê conta de lavar essas canecas. Colocaram crianças a mais, mas não pensaram na questão estrutural, de espaço, de material”, criticou.
 
As professoras participaram na Câmara de quatro encontros, em que foram discutidos os problemas no atendimento às crianças e também o projeto de lei complementar 17/2017, que trata do Plano de Carreira dos Professores Municipais.
Elas relataram também que alguns materiais ainda não chegaram, como os colchonetes, que inclusive se tornaram alvo de inquérito civil no MP (Ministério Público), após um ofício do OSP (Observatório Social de Piracicaba) que apontava “inconsistências” nos preços apresentados em relação a outras cidades.
 
A prefeitura negou os problemas. “A Secretaria Municipal de Educação volta a negar que haja superlotação na rede municipal de ensino. Também não reconhece como verdadeira a suposição de que a higienização das canecas estaria comprometida. Mais colchonetes estão sendo distribuídos nas escolas, de acordo com a demanda”, informou a assessoria de imprensa. 
 
O JP também questionou se a secretária pretende comparecer na reunião, mas não houve resposta.