Sem aposentar e sem trabalhar: desemprego após os 60 anos é realidade no Brasil

Trabalhadores acima dos 60 anos sentem dificuldade para reinserção no mercado de trabalho. (Foto: Amanda Vieira/JP)

De acordo com o estudo “Envelhecimento da Força de Trabalho no Brasil”, realizado pela consultoria PWC em parceria com a Fundação Getulio Vargas, apenas 1% dos cargos, em cerca de cem empresas brasileiras, são ocupados por trabalhadores com mais de 65 anos. Na pesquisa, 70% das empresas acreditam que profissionais na terceira idade são mais caros, enquanto 69% afirmam que eles não se adaptam bem a mudanças.

A dificuldade em encontrar uma recolocação no mercado de trabalho é sentida também em Piracicaba. Marisa Ercolin, 60, trabalhou como faxineira até fevereiro desde ano, quando foi demitida. Desde então, busca uma recolocação. “Mandei vários currículos, mas ninguém retorna. A gente precisa trabalhar, preciso ter meu ‘dinheirinho’ para pagar minhas contas”, afirma Marisa, que vê sua situação ainda mais agravada pela demissão do marido, que aconteceu no mesmo mês que a dela. “Acho que pensam que não damos conta de trabalhar. Estou rezando bastante por uma nova oportunidade, agora o único com quem posso contar é Deus”.

De acordo com Camila Petta, selecionadora da agência MGA Recursos Humanos, a dificuldade encontrada pode estar em uma visão equivocada por parte das organizações. “O que percebo é que algumas empresas acabam optando por contratar pessoas jovens, por acreditarem que, devido à experiência já adquirida, a exigência de salário da geração mais velha será maior”, diz.

“Porém, o cenário mudou. Devido a crise e à necessidade de trabalho, as pessoas estão mais abertas a negociar e ouvir as propostas, facilitando o retorno ao mercado”.

Para a especialista, as corporações podem perder grandes oportunidades ao recusarem contratar pessoas mais velhas. “Existem muitas vantagens para que uma empresa contrate funcionários nessa idade. São pessoas mais estruturadas emocional, profissional e financeiramente, e isso faz com que a vontade de trabalhar e se estabelecer em uma empresa seja maior do que a geração mais nova. Esta última busca crescimento profissional rápido e está constantemente pesquisando novas oportunidades”, declara.

DICAS

Apesar da dificuldade, a procura por uma nova oportunidade pode ser encurtada com algumas atitudes tomadas pelo candidato.

Camila afirma que o currículo, sendo o primeiro contato com o avaliador, merece atenção. “A dica é igual para todos. O currículo deve ter informações claras e objetivas. O candidato precisa estar bem preparado”, orienta a selecionadora, que ainda incentiva que os profissionais acreditem em seu potencial. “O que percebo é que, devido a rejeição que já sofreram, as pessoas nessa faixa estaria acabam aceitando qualquer oportunidade e deixam de lado o valor à carreira que já foi construída, além de toda a bagagem que vem junto dela”.

 

Mariana Requena
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