Sem estímulo fica difícil

São diversas as empresas que não incentivam seus profissionais a venderem mais, porém, sempre é possível – e muito desejável – trabalhar com autoestímulo. Afinal, se você não buscar a realização dos seus sonhos, ninguém vai fazer isso por você.

Claro que sempre tem também a responsabilidade da empresa nos resultados obtidos pelo vendedor. Ela precisa ter um perfil que estimule a satisfação do funcionário por trabalhar ali. Já trabalhei em empresas em que o dono era muito muquirana e nem pensava em premiar seus colaboradores de destaque, para aumentar os seus lucros.

Quando a empresa não valoriza o funcionário, não dá prêmios, não anuncia seus produtos na mídia, não faz promoções, não contrata pessoas para dar treinamentos para a equipe, é bem mais difícil manter o ânimo no trabalho. Se a empresa não tem um café na loja para o cliente, não recebe e acolhe o comprador, é claro que o estímulo do profissional vai minguar.

Gosto muito de falar no café quentinho na loja para servir ao cliente. É algo tão simples e barato, mas que demonstra um apreço pela pessoa que entra em seu comércio. Não importa se a loja é grande ou pequena, oferecer um cafezinho passado na hora pode fazer a diferença na hora de fechar o negócio. É uma gentileza, uma forma de deixar o ambiente mais amigável, aconchegante, aromático. E é um ótimo estímulo para uma conversa descontraída com o cliente, preparando o terreno para depois concluir a venda.

Acredito, de verdade, que aquele cheirinho de café na loja atrai pessoas, porque passa a sensação de acolhimento, de casa de avó, de família, de união. Tenha o momento em que o cliente está tomando o café no seu estabelecimento comercial como uma oportunidade para estreitar laços, criar um vínculo com ele.

Mostre-se atencioso. Converse, pergunte, investigue a real necessidade dele e, claro, o desejo. Esses instantes bebendo o cafezinho podem ser muito mais que apetitosos. Podem ser proveitosos.

Fico bobo ao ver como alguns empresários não percebem a simplicidade e, ao mesmo tempo, a grandeza do cafezinho com o cliente. Há quem ache que gastar com café é bobagem e o que realmente importa é o cliente gostar do produto que deseja levar para casa.

Aproveite o tempo do cafezinho para construir um relacionamento com o cliente. Desperte nele a vontade para voltar, vontade de “quero mais”. Café aproxima, relaxa, faz com que o diálogo flua. Tenho um amigo que fala constantemente: é depois do café que eu me expresso.

Se existir incoerência entre o discurso e as atitudes da empresa, o vendedor vai ficar desmotivado. Se a empresa não recebe bem o cliente, não entrega um produto de qualidade, não cumpre prazos, não faz um bom atendimento pós-venda, não há como construir uma carteira de clientes fiéis, por mais educado que o profissional de vendas seja.

Se a empresa é ruim, muitas vezes o profissional nem quer vender mais, porque não tem motivação para isso e sente que seus esforços estão sendo mal aproveitados. Ele, então, acaba optando por sair da empresa.

É difícil para alguém que entra em uma companhia querendo crescer não receber o estímulo necessário para fazer o seu melhor. Se a empresa, porém, paga certinho, valoriza o profissional, oferece ambiente de trabalho agradável, é preciso ver se o funcionário está com a estrutura emocional boa, se está tudo certo com ele e se não está reclamando sem razão. O vendedor tem de fazer a parte dele também.