Semae investe R$ 19,4 milhões em 5 anos no combate às perdas de água

água Vazamento de água é uma das causas das perdas que chegam a 48%. (Foto: Claudinho Coradini/JP)

Em atendimento a um acordo judicial com o Gaema (Grupo de Atuação Especial do Meio Ambiente), o Semae (Serviço Municipal Autônomo de Água e Esgoto) investe, desde 2015, R$ 19,4 milhões na elaboração no combate às perdas que, em Piracicaba, chegam a 48% do volume total de toda a água captada e tratada pelo município. O percentual corresponde a R$ 30,7 milhões de metros cúbicos ao ano (ou 30,7 bilhões de litros/ano) de água perdidos entre vazamentos, fraudes, ligações clandestinas e hidrômetros com a aferição imprecisa.

A meta da autarquia é reduzir o percentual para 25% até 2020. A autarquia contratou, no final de agosto, as duas últimas etapas do plano diretor de combate às perdas, projeto que foi dividido em seis macro setores (dois deles já foram concluídos e os outros dois foram 70% executados). Os contratos das duas últimas etapas têm 36 meses de vigência.

Segundo o Semae, desde que o projeto foi iniciado, a perda média anual da autarquia caiu de 50,2 % (correspondente a 32,1 bilhões de litros) para os atuais 48%. Cada m3 corresponde a mil litros de água. Ou seja, o município continua perdendo 30,7 bilhões de litros de água tratada por ano.

O macro setor 1 recebeu R$ 3,1 milhões (o serviço já foi concluído), o MS2 custou R$ 3,4 milhões (também já foi concluído), o MS3 e o MS4 estão 70% executados e custarão R$ 5,4 milhões.O MS5, que corresponde às regiões do São Dimas e Vila Rezende; e o MS6 que abrange Ártemis, Lago Azul e Colinas de Piracicaba, foram contratados em agosto por R$ 955,2 mil e R$ 487,3 mil, respectivamente.

Os recursos para estas seis etapas foram obtidos via Comitês PCJ (Piracicaba, Capivari e Jundiaí). Além desses macro setores, o Semae executou um projeto piloto com recursos próprios ao custo de R$ 593 mil.

O promotor de Justiça do Gaema Ivan Carneiro Castanheiro explicou que havia uma multa de R$ 6 milhões contra o Semae por não atingir os 100% de esgoto até a data prevista em um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta). “Ao invés de cobrarmos a multa, nós a convertemos na exigência de investimentos na regularização fundiária das favelas (núcleos habitacionais) e em ações para o combate das perdas de água na rede de distribuição”, disse Carneiro.

O presidente do Semae, José Rubens Françoso, afirmou que as ações resultarão não apenas em economia à autarquia. São fundamentais também para preparar a cidade para o crescimento populacional e industrial dos próximos anos. “Quando atingirmos nossa meta, teremos 25% de oferta de água a mais, sem precisar aumentar o volume captado e sem ter que gastar mais produtos para o tratamento”, afirmou.

Uma das causas da perdas físicas, explicou o presidente, são as ligações antigas. “Há 130 anos tem água encanada em Piracicaba. Foi uma das primeiras cidades do Brasil a ter. Há muita tubulação e adutoras antigas”. Outras causas são a falta de válvulas redutoras de pressão e a dificuldade para detectar vazamentos. Ao final dos trabalhos do plano diretor, haverá a automação dos sistema.

“Do centro de operações, conseguiremos abrir e fechar [os registros que serão colocado em diversos pontos da cidade], e a diminuir ou aumentar a pressão [das válvulas redutoras que serão instaladas também em vários bairros] ”, disse Françoso. A informatização e o mapeamento do município também ajudarão a combater as perdas de receita por fraudes, ligações clandestinas e hidrometração descalibrada.

(Rodrigo Guadagnim)