Semae: uma autarquia sem sentido

Não é de hoje que o Semae (Serviço Municipal de Água e Esgoto), autarquia municipal, tem gerado diversas reclamações dos cidadãos piracicabanos. A gestão acertada e ágil de alguns ex-presidentes fez com que a autarquia conseguisse resolver parte dessas reclamações e, com isso, ganhar alguma confiança da população. Contudo, não se pode esconder o fato de que sua maior falha está na sua essência: trata-se de uma empresa pública.

Depois dos desmandos e desvios da Petrobras, publicamente expostos na grande imprensa, está mais evidente que o mote nacionalista da empresa pública ser “patrimônio do povo” é uma grande falácia. Uma história para boi dormir. E é exatamente esse velho (e já desmentido) argumento que o sr. prefeito, Barjas Negri, ainda sustenta, vejamos: “à frente do Executivo Municipal, vamos continuar defendendo a AUTARQUIA SEMAE, como Patrimônio Público da Sociedade Piracicabana”.

Isso é o que disse o sr. prefeito após manchete deste matutino sobre sua posição em relação à crise do Semae. Como diria o bom provérbio, antes tarde do que nunca, é bom ouvir as palavras do sr. prefeito. E elas são no sentido de defender a autarquia municipal que cambaleia numa crise desmedida. Negar a crise do Semae é como aquele motorista bêbado que nega o semáforo vermelho à sua frente e passa adiante.

Vale repetir a ladainha dos investimentos públicos em torno do Semae? Sim, vale e é importante, mas não resolve o problema do consumidor de água: as contas altas e sem sentido se multiplicam sem qualquer lógica ou explicação.

O Semae tenta resolver da maneira mais simples para aumentar seu faturamento: não aceita discutir a validade do débito e propõe parcelamento. Ora, é fácil dizer ao consumidor lesado (e enganado) que ele deve pagar uma conta de água que não consumiu. É fácil dizer ao consumidor, quando se é uma empresa monopolista, que se há vazamento o problema é do consumidor em pagar a água (que ele não consumiu) e o esgoto (que não gerou).

O maior problema do Semae é o mesmo da Petrobras ou de qualquer outra empresa pública: não tem dono. A história de dizer que “todos são donos” e que “a empresa é patrimônio da sociedade” é balela, pois se fosse de todos, ninguém pagaria conta indevida. Cachorro que tem muito dono… morre de fome. O Estado não sabe e não tem competência para gerir algo que a iniciativa privada pode fazer muito melhor. Basta verificar as reclamações que a CPFL recebe enquanto empresa privada em comparação às que o Semae recebe. Será que a CPFL possui um grupo de 33 mil piracicabanos descontentes com seu serviço? Certamente não.

O sr. prefeito vem agora a público defender a autarquia municipal louvando o mérito de seu presidente, de seus funcionários e da equipe técnica. Diz ainda que seu objetivo é “fortalecer a autarquia”. Ora, fortalecer para quê? O que o consumidor quer não é uma empresa forte, mas uma empresa eficiente, com um serviço eficaz e com tarifas que realmente correspondam ao que cada um consumiu. Não cabe ao Estado, ainda que municipal, gerir empresa pública de abastecimento de água, de luz ou coletar lixo na rua. Isso a iniciativa faz muito melhor, com mais eficiência e mais barato.