Ser líder, um adorável desafio (IV)

Ao longo dos anos, fui me aperfeiçoando no desempenho da função de líder, reconhecendo e trabalhando meus pontos fracos e fortes, estudando, observando o dia a dia das empresas onde atuei. Com minha experiência, noto que as pessoas fracassam por conta de alguns motivos específicos: ignorância, preguiça e medo.

Não é raro as pessoas superestimarem seus objetivos, não saírem do lugar e acabarem desistindo. Há pessoas que ficam no mundo dos sonhos, mas não fazem nada para alcançar o objetivo. Isso acontece porque elas não têm claro que é necessário dividir o sonho em metas: o sucesso é conquistado aos pedacinhos.

O líder sabe que as pessoas têm uma resistência natural à mudança. Muitas dizem que querem mudar, mas o medo de sair da zona de conforto acaba prevalecendo. E também há os conselheiros da continuidade, que dizem coisas como “para que mexer em time que está ganhando?”, “não troque o certo pelo duvidoso” etc… Claro que a prudência é importante, mas há situações que pedem uma alteração de rumos. Aí reside um dos desafios do líder: ser o propulsor da mudança. Este processo tem três fases. A primeira é a negação: “Eu sempre fiz assim e deu certo. Agora você vem me dizer que eu faço errado?”. O líder já identifica isso como zona de conforto. A segunda fase se dá no nível do questionamento: “Será que este é o melhor jeito de fazer o trabalho?”, a pessoa pensa, mas não modifica sua atuação. A terceira vem com a conscientização, quando há uma percepção real de que há modos mais adequados de agir e a pessoa se corrige.

Para que um líder possa intervir positivamente nesse processo, é necessário que ele se conheça bem. Caso contrário, como ele pode liderar os demais? Para guiar essa reflexão sobre seu desempenho deve compreender que a liderança é um processo bastante complexo que se dá em etapas, de dentro para fora. A primeira refere-se à comunicação intrapessoal, ou seja, como o líder “conversa” consigo mesmo e trabalha suas relações intrínsecas. A segunda refere-se à comunicação interpessoal, que denota sua habilidade de interagir. A terceira diz respeito à sua competência gerencial, ou seja, a responsabilidade de concluir tarefas em conjunto. Por fim, o talento organizacional, que inclui organizar, recrutar, remunerar, formar equipes e solucionar problemas.

Há vários tipos de liderança. Mas nem todas geram resultados positivos. Vejamos algumas delas:

Liderança autocrática: o líder autocrático é mais conhecido como “chefe”. Determina tudo o que o grupo vai fazer e acha que sua opinião é a mais correta. Gosta do poder e não acredita que os liderados possam tomar decisões sem ele. No fim, desenvolve trabalhadores imaturos.

Liderança paternal: é amável com a equipe, mas sente que precisa tomar decisões em nome de todo o grupo. Evita a discórdia e conta com o respeito e a estima dos liderados. É tido como o “paizão”, o que gera dificuldade e até medo de delegar atribuições.

Liderança permissiva: deixa o grupo solto, sem controle ou ajuda. Este estilo quase sempre gera situações insatisfatórias porque os liderados raramente aprendem a conviver e respeitar o grupo.

Liderança democrática: quando os membros trabalham em conjunto, compartilham decisões e atividades. O grupo trabalha buscando sinergia. Este perfil de líder não crê que seja o dono da verdade e sua atenção está voltada principalmente para as relações interpessoais.

Na próxima semana trarei o último capítulo desta série dedicada à liderança!