Sete em cada dez piracicabanos nascem de cesárea, diz Fundação Seade

Um levantamento feito pela Fundação Seade (Serviço Estadual de Análise de Dados e Estatísticas) revela que a cada dez piracicabanos, sete nascem de cesarianas. Em 2015, último ano com dados disponíveis, 68,2% dos partos realizados na cidade foram desse tipo. O número representa um crescimento de 24% em relação a 2005, quando a taxa foi de 54,7%. 
 
A pesquisa é feita com base nos registros de nascimento feitos em todo o Estado. No ano retrasado, a taxa de nascimentos por cesárea em São Paulo foi de 59,4%. 
 
Em todo o Brasil, segundo o Ministério da Saúde, 2015 foi de uma ligeira queda no número de cesarianas. Dos três milhões de partos feitos no Brasil no período, 55,5% foram cesáreas e 44,5%, partos normais. Os números mostram ainda que, considerando apenas partos realizados pelo SUS (Sistema Único de Saúde) o percentual de partos normais permanece maior 59,8% contra 40,2% de cesarianas.
 
No ano passado, o governo federal anunciou uma série de diretrizes de assistência ao parto normal para profissionais de saúde e gestantes. Segundo a pasta, as medidas visam o “respeito no acolhimento” e mais informações para “o empoderamento da mulher” no processo de decisão ao qual tem direito.
 
Em 2016, o ministério já havia publicado o Protocolo Clínico de Diretrizes Terapêuticas para Cesariana, com parâmetros que devem ser seguidos pelos serviços de saúde. A proposta é auxiliar e orientar profissionais da saúde a diminuir o número de cesarianas desnecessárias, já que o procedimento, quando não indicado corretamente, traz riscos como o aumento da probabilidade de surgimento de problemas respiratórios para o recém-nascido e grande risco de morte materna e infantil. 
 
Para o ginecologista e obstetra Aninoel Dias Pacheco Júnior, no entanto, a decisão de fazer a cesárea parte, em sua maioria, das próprias mães. “No meu consultório, a maioria das grávidas chega decidida a fazer cesárea, apesar de toda a campanha da mídia pelo parto normal. Ao longo de 2017, 90% dos partos que eu fiz foram cesáreas”, relata. 
 
RECOMENDAÇÃO — Grávida de um menino que deve nascer em abril, a enfermeira Fernanda Cristina de Souza Canetto relata que decidiu fazer uma cesárea por recomendação médica. “Minha primeira filha já nasceu de cesárea. Como eu tinha uma cirurgia anterior, meu médico não recomendou que eu passasse por um parto normal”, afirmou.