Setor agrícola do Mercosul rejeita oferta da Europa

Produtores agropecuários do Mercosul se recusam a aceitar a proposta feita pela União Europeia de abertura de mercado e alertam que acordo final entre os dois blocos pode ficar desequilibrado.

Na noite de segunda-feira, 29, e na terça-feira, 30, num encontro ministerial em Bruxelas, a Comissão Europeia elevou sua oferta de abertura de 70 mil toneladas para 99 mil toneladas de carnes do Mercosul. O tema era central para destravar o impasse no processo que já dura 19 anos. O Brasil já havia deixado claro que, sem maior acesso para o segmento, não haveria um acordo.

A partir de agora, os ministros retornam aos seus países. Mas técnicos e negociadores ficam até dia 8 de fevereiro para tentar aproximar posições e fechar a base de um acordo. Uma nova reunião já foi marcada para o dia 18, em Assunção.

Negociadores revelaram que a meta é a de acelerar o processo e tentar concluir o entendimento até março. Fontes no Palácio do Planalto acreditam que o acordo é “possível”.

Os europeus se reúnem nesta quarta-feira, 31, com os 28 governos do bloco e serão cobrados pelas concessões que fizeram. A Irlanda, por exemplo, deixou claro nesta semana que não aceitaria uma ampliação das cotas de carne. No entanto, a proposta que foi apresentada ao chanceler Aloysio Nunes Ferreira foi alvo de dura crítica por parte das entidades que representam o setor agropecuário no Mercosul, entre eles a Associação Brasileira das Indústrias Exportadores de Carnes (Abiec), a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e a Sociedade Rural Brasileira.

“A oferta de 99 mil toneladas de carne não cumpre o mandato de 2010 e não contempla a ambição do setor no Mercosul”, disseram os grupos, que ainda apontaram para a “falta de informação” sobre o restante das condicionalidades. A oferta não atende às expectativas do setor agropecuário do Mercosul”, insistiram as entidades, num documento assinado por Gedeão Silveira Pereira, presidente da Federação de Agricultura do Rio Grande do Sul, e enviado aos ministros do bloco.

A demanda do setor é de que a cota seja estabelecida inicialmente em 100 mil toneladas e que haja um incremento anual até atingir 160 mil toneladas por ano.

O setor também criticou a falta de “transparência” do processo. “Confiávamos que os governos do bloco buscariam um acordo amplo e equilibrado, que trouxesse reais benefícios para os produtores rurais sul-americanos”, disseram as entidades na carta. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.