Sindicato pedirá apuração de conduta de vereador

O Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Piracicaba e Região vai pedir que a Comissão de Ética da Câmara analise a postura do vereador Osvaldo Airton Schiavolin, o Tozão (PSDB), por conta das afirmações que fez contra um servidor público da prefeitura no último dia 8. Ele chegou a dizer que tinha vontade de “rachar no meio” a cabeça do funcionário. Membros da ouvidoria do sindicato falaram com o servidor, que nega as acusações e relata ainda “ameaças veladas” do parlamentar.
 
Na sessão, ao usar a tribuna, Tozão criticou o atendimento que recebeu na prefeitura quando foi protocolar um pedido de isenção de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) para um produtor rural. O parlamentar afirmou que o servidor foi rude, se recusou a protocolar o documento e que ainda jogou os papéis nele. “Queria falar muitas coisas, mas estou tão nervoso e bravo com essa pessoa que, se possível, eu queria bater a cabeça dela aqui em cima para rachar no meio. Uma pessoa dessa não deve trabalhar em lugar público”, disse Tozão na sessão.
 
O presidente do Sindicato dos Municipais, José Valdir Sgrigneiro, afirmou que o órgão está dando apoio ao servidor e que pretende encaminhar uma carta ao presidente da Câmara, Matheus Erler (PTB), sugerindo que a Comissão de Ética investigue o caso.
 
“Vamos usar de todos os meios para ajudar o servidor. Estamos orientando ele a fazer o BO (Boletim de Ocorrência), relatar o lado dele, para também fazermos a defesa na tribuna da Câmara”, disse Sgrigneiro. “Estou no aguardo e pretendo ir amanhã na Câmara. Muito provavelmente o sindicato também entre com um processo de calúnia e difamação contra o vereador”, completou o sindicalista.
 
Ontem de manhã, dois ouvidores do sindicato falaram com o funcionário. De acordo com o secretário geral do órgão, José Valdir Martins, o servidor nega que tenha sido rude e jogado papéis no vereador, e relata que teria sido ameaçado pelo tucano. “Segundo o servidor, algo estava irregular na papelada. A empresa não é daqui, é de Saltinho, e ele não tinha autorização para isso. O rapaz tentou explicar, mas o vereador não quis entender, ficou nervoso, disse que era vereador. O vereador ainda teria dito que o funcionário não ia ficar mais no trabalho, que o rapaz ia achar o que era dele e que ainda iam achar o rapaz no canavial”, relatou Martins.
 
Procurado pelo JP, Tozão negou que tenha ameaçado o servidor e manteve a versão de que foi mal atendido. “Ele que jogou papel na minha cara, aquele sem vergonha. Vai ter que provar por ‘a’ mais ‘b’ o que ele está falando. Eu não tiro o meu da reta. Tudo isso vai estar na representação contra ele. Não falei nada disso. Ele que não entendeu nada. Não falei que ia jogar no canavial porcaria nenhuma. Completamente alucinado”, afirmou o tucano.
 
O JP entrou em contato com o funcionário, mas ele não quis conceder entrevista, dizendo que se manifestaria apenas através do sindicato.