Síndrome de Burnout afeta gerentes e gestores

Pesquisa comprova que profissional brasileiro é o que mais sofre com a pressão e o excesso de trabalho. (Foto: Freepik)

A Síndrome de Burnout é um distúrbio de esgotamento emocional causado pelo trabalho, com sintomas que podem desencadear o estresse crônico. Considerada doença pela OMS (Organização Mundial da Saúde) em maio deste ano, dados do Isma-BR (International Stress Management Association) apontam que a síndrome atinge 32% da população do globo.

Segundo uma pesquisa da empresa de recrutamento Robert Half, os profissionais brasileiros são os mais estressados do mundo. A empresa entrevistou quase 1.800 gestores de RH em 13 países e constatou que o profissional brasileiro é o que mais sofre com a pressão e o excesso de trabalho. De acordo com o estudo, 52% dos entrevistados reclamaram da alta carga de trabalho, e 44% sentem falta do reconhecimento de seus esforços.

O Burnout não é um distúrbio frequente apenas nos funcionários que cumprem ordens contínuas, mas também aos cargos de chefia e gestão, nos quais o líder precisa estar preparado para lidar com as demandas e conflitos do grupo. Em algumas vezes, essa função pode ser desequilibrada pela ansiedade.

De acordo com a psicóloga Elaine Di Sarno, as expetativas altas sobre o gestor podem criar uma pressão com a qual é difícil lidar. “Na realidade, todos esperam que um gestor tenha maturidade emocional e consiga gerenciar e controlar sua própria ansiedade, além de lidar com a ansiedade do grupo que ele lidera”, afirma a especialista. “No entanto, aspectos emocionais, especialmente a capacidade de lidar com a inteligência emocional, impactam bastante. Se o transtorno de ansiedade não for tratado, o gestor e a sua equipe podem caminhar para um ‘naufrágio’”.

É papel do líder captar, absorver e conduzir de maneira saudável as expectativas do grupo, portanto ele deve ser o mais preparado psicologicamente. “O líder precisa ser capaz de ter autocontrole, autoconhecimento e experiência para transmitir tranquilidade e direção ao grupo, em todo tipo de situação”, diz Elaine. “Muitas vezes, só um trabalho psicoterápico permite que ele se conheça mais a fundo e se desenvolva emocionalmente, de modo a saber lidar com suas próprias ansiedades e as da equipe”.

Toda essa responsabilidade é somada à necessidade de desenvolver um bom trabalho, sem erros ou deslizes que seriam aceitos no âmbito pessoal, mas não no profissional. Em um mercado tão competitivo como o atual, um passo em ‘falso’ pode definir a substituição do profissional por outro com maior estabilidade emocional. “Daí, além da ansiedade, virá o sentimento de frustração, decorrente de uma expectativa não realizada, de uma sensação de incapacidade ou de percepção de que ‘não sou tão competente quanto imaginava’”, alerta a psicóloga.

Para evitar a exaustão emocional em meio a um cenário tão exigente, Elaine indica o descanso físico e mental, além de mudanças nas atitudes, expectativas e hábitos de vida. “O equilíbrio entre o trabalho e as atividades físicas, de lazer, o encontro com os amigos e outras é o primeiro passo”, orienta. “Nos casos em que a Síndrome de Burnout já está instalada, recomenda-se buscar auxílio médico especializado para avaliação do quadro e orientação quanto ao tratamento”.

 

Mariana Requena
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