Síndrome de Burnout entra para a lista de doenças da OMS

Sintomas podem ser físicos ou psíquicos, como dores, apatia, irritabilidade, alteração no sono e apetite, além de tristeza. (Foto: Freepik)

A Síndrome de Burnout atinge 32% da população, segundo dados do ISMA-BR (International Stress Management Association) e foi considerada doença pela OMS (Organização Mundial da Saúde) em reunião de Estados realizada no último dia 20. O distúrbio trata-se de um esgotamento emocional causado pelo trabalho, com sintomas que podem desencadear estresse crônico.

De acordo com a psicóloga e fundadora do instituto Viva Desenvolvimento Humano, Márcia Ramires, algumas das causas da síndrome são cobranças excessivas, assédio moral, metas radicais, relações interpessoais de péssima qualidade, além da falta de respeito e clima organizacional deficiente, sem motivação. “Geralmente, as pessoas que sofrem dessa síndrome não se desligam da demanda de trabalho, mantendo a mente em estado de alerta constante e, assim, ficando exaustas. Tendem a ter um perfil perfeccionista e de autocobrança em demasia, abrem mão de lazer e ócio e deixam o estresse, preocupação e nervosismo tomarem conta, o que reflete em cansaço, desmotivação, e esgotamento extremo”, explica a especialista.

A Síndrome de Burnout acontece quando o profissional não consegue lidar com os desafios impostos pelo trabalho, cada vez mais agressivos por conta de mudanças no ambiente de trabalho, como a diminuição no quadro de funcionários. “Não expressar os sentimentos pode gerar fantasias exageradas e que são falsas diante da realidade nua e crua, sufocando os limites emocionais e, então, gerando sinais físicos”, diz Márcia.

A sociedade tende a dar menor atenção às doenças mentais, mas elas podem refletir em todo o corpo e saúde do indivíduo. “Estudos mostram que, quando um trauma emocional não é curado e o sistema corporal fica em constante estresse e de modo elevado, pode gerar uma menor função imunológica e incidências de doenças, como o câncer, que está também está associado a ressentimento e culpa. A mente pode e é capaz de produzir doenças em outros órgãos justamente porque o cérebro comanda todo o organismo através de mensageiros químicos”, acrescenta.

TRATAMENTO
O primeiro passo é aceitar que a angústia e ansiedade frequentes não é normal, e então buscar ajuda profissional. “Não empurre o que sente. Caso não consiga lidar com ela só, procure ajuda: a psicoterapia ou a hipnoterapia são boas alternativas. Outra forma de saber lidar melhor com ela é trabalhar sua inteligência emocional”, aconselha a psicóloga. “A angústia é um sinal interno de que existe um conflito não resolvido e que está impedindo a pessoa de ter ações na vida. Então, quando ela aparecer, a pessoa precisa parar e refletir sobre o que ela significa”.

 

Mariana Requena
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