Sobreviver seria uma arte feminina?

Minha colega de trabalho e amiga, Fernanda Moraes sempre brinca dizendo que tem vários chefes: um, dois, três… e assim por diante. Na verdade, tem mesmo. Ela trabalha em dois locais e presta serviços como profissional liberal para outros clientes. Ah, também tem faxina na casa dela toda semana, supermercado, cozinha e um lindo filho que fez nove anos logo ontem. Ela, claro, fez uma festa básica, apesar de ter trabalhado muito durante toda a semana. Fernanda não é exceção, é regra. A jornalista em questão faz parte do universo de mulheres, que se desdobra entre empregos/ trabalhos/ jobs e, mais atualmente, empresas próprias como Microempreendedor Individual. Em Piracicaba, 58% das chamadas MEIs são capitaneadas por mulheres, ou seja, das 12.258 microempresas do município, 7.110 são femininas.

É claro que para a mulher que escreve isso é um orgulho, porque demonstra como outras ‘Fernandas’ estão se virando para sobreviver e crescer com foco num negócio próprio, além de criatividade de espírito empreendedor. Uma dessas histórias está na matéria de Beto Silva, publicada na página A 4, mesma página em que um grupo de mulheres empresárias chama pacientes com câncer para uma tarde de beleza. Os cuidados com o corpo e a aparência sempre ficam de lado durante um tratamento que costuma ser tão severo quando o do câncer.

Nos dois casos, a arte de sobreviver e fazer viver parece ser algo eminentemente feminino, mas apesar de parecer não deve ser, porque assim como encontramos mulheres lutadoras também identificamos mulheres exaustas. Acredito que a carga deve ser dividida seja por aptidão ou por justiça mesmo. Já que podemos abrir empresas, que os homens aprimorem-se no cuidado com os filhos e a casa, afinal todos moram no mesmo local. Vamos dividir mais que as contas, vamos somar sonhos e servir um de apoio e incentivo para o outro. As mulheres não querem apenas sobreviver, mas viver com plenitude todas as suas facetas assim com seus companheiros, maridos, pais, irmãos e, no futuro, os filhos. Apenas sobreviver é pouco para a alma humana.

(Alessandra Morgado)