Somos iguais aos sapos?

Plínio Montagner

Bem, sapo pode ser aquele batráquio de verdade, bicho mesmo, e pode ser também aquela pessoa que dá palpites sobre tudo sem nunca ter lido nada nem ouvido.

Seja sapo, rã ou perereca, todos esses bichos podem viver na água e fora dela. Mas o motivo de escrever sobre sapos é para contar uma história inventada por algum filósofo da vida.

Havia dois sapos tranquilos à beira de um riacho quando um deles foi capturado. Como brincadeira de crianças malvadas, alguns cientistas o jogaram dentro de um caldeirão de água fervendo, pelando. O sapo deu um tremendo salto e, meio cozido ou sapecado, escapou, e continuou sua vida.

Agora vem a história do que aconteceu com o outro sapo. Depois de aprisionado foi também colocado dentro do mesmo caldeirão, mas colocado em água fria. O bichinho apenas achou estranho ser colocado ali, à toa, sem mais nem menos. Como marinheiro de primeira viagem, deu um despretensioso gesto de ombros e ficou ali, vendo a vida passar.

Mas desta vez o experimento foi diferente: o caldeirão foi levado ao fogo bem leve, e aos poucos a temperatura da água foi aumentando, aumentando, e o ingênuo sapo, apesar do calorzinho, achava que o desconforto era natural. Passivamente continuou ali sem sair à procura de outro abrigo, outra lagoa…

A água acabou fervendo e o sapo morreu cozido. Ficou esperando acontecer dias melhores, não chamou sua mãe nem a polícia.

Os humanos, como agiriam ante as situações assim? É de se imaginar que os lutadores seguiriam o exemplo do primeiro sapo, procurariam se safar do calor de qualquer maneira e outros se comportariam igual ao sapo fervido, não fariam nada e ali iriam ficar até morrer.

Não ousar correr riscos nem mudar de atitudes é próprio de quem espera alguém fazer por eles. O sol nasce todos os dias, sozinho. Daí, belo paradoxo o ditado:
“Quem espera, sempre alcança.” Será mesmo uma virtude?

Quem espera não se move, e morre…

Esperar sentado com atitude preguiçosa e derrotista, Deus não vai ajudar não, só a mãe. Deus ajuda só quem trabalha e se ajuda.

Paciência e reflexão constantes não podem ser virtudes. Prudente é aquele que busca por si soluções para se livrar do perigo.

Poucas pessoas percebem que as próprias experiências, apesar de boas, podem ser uma cruel escola da vida.

Não existe geração espontânea, suponho e nada muda nem gemina sem sementes e sem causas.

Há certa benevolência constante que facilita as pessoas a se acostumar com o ruim porque acham que é normal rejeitar o diferente, o novo e correr riscos.

Pablo Neruda (1904-1976) escritor, poeta chileno e Prêmio Nobel de Literatura (1945), escreveu um poema bastante apropriado ao contexto, como nestes versos:

Morre lentamente quem evita novos amores;
Não vai a lugares diferentes;
Não conversa com desconhecidos;
Não faz amigos;
Não pede ajuda nem se deixa ajudar;
Não troca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho;
Não muda de marca;
Percorre os mesmos trajetos;
Quem só se restringe ao seu mundo…