Sucesso também é coisa de garota

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Basta entrar em uma loja de brinquedos para notar a diferença. Enquanto os meninos podem ser maquinistas, heróis, cientistas, mecânicos ou exímios atiradores, prontos para salvar o mundo de todos os criminosos, às garotas ficam reservadas as bonecas, cozinhas de brinquedo, ‘vassourinhas’ e penteadeiras de maquiagem, como se o futuro delas apenas permitisse que elas fossem mães ou donas de casa.

De acordo com pesquisa das universidades de Nova York, Illinois e Princeton, nos Estados Unidos, amplamente divulgada pela Mattel, as garotas deixam de sonhar que podem ser CEOs, presidentes ou cientistas já aos cinco anos de idade, isso porque passam a se enxergar como menos inteligentes e capazes do que os meninos, fatos que as levam a perder a confiança em sua própria competência.

Para Vivian Wolff, coach de vida e formada pela Georgetown University Institute for Transformational Leadership, esse desencorajamento ao potencial das meninas começa com a família. “Fatores culturais de valorização do masculino, enraizados desde sempre na nossa sociedade, afetam a autoestima e a confiança feminina. Estudos mostram que mesmo quando as meninas tiram melhores notas em matemática do que os meninos, eles se mostram muito mais seguros quanto à aprendizagem da matéria do que elas”, afirma. “Muitas meninas são desencorajadas até pela própria família a se acharem boas em assuntos não considerados ‘femininos’”.

E o desafio não acaba na infância, já que o mercado de trabalho também exige muito mais das mulheres, enquanto as taxas de contratação e salários não refletem as cobranças. Uma pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aponta que, mesmo com uma queda na desigualdade salarial entre 2012 e 2018, as trabalhadoras ganham cerca de 20,5% a menos do que os homens, mesmo ocupando os mesmos cargos.

Vivian acredita que essa realidade só pode ser alterada se as garotas passarem a ser encorajadas desde a infância a confiarem em si mesmas e em sua capacidade intelectual.

“As perspectivas de trabalho em ciências, tecnologia, engenharia e matemática estão em pleno crescimento e só tendem a aumentar. E a realidade é que, se não empoderarmos nossas meninas, teremos um padrão de futuros profissionais femininos desistindo de tentar carreiras nessas áreas”, ressalta. “É preciso dar a elas um sistema global de suporte que começa em casa, passa pela escola e termina no mercado de trabalho. Temos que ajudá-las, desde cedo, a desenvolver habilidades comportamentais e emocionais para definir metas, vencer obstáculos e seguir adiante nos estudos escolhidos”.

Sucesso não é uma conquista apenas masculina e, de acordo com Vivian, são os exemplos que configuram como um dos principais fatores de mudança. “É preciso passar valores de mãe para filha, como autoestima, segurança, respeito, confiança e empatia. Valores que ressaltam o feminino e, ao mesmo tempo, formam uma base sólida para que uma menina possa crescer acreditando em si mesma e no poder de suas escolhas”, garante a coach. “Ao chegar na universidade e nos primeiros postos de trabalho, essas jovens precisam de referências e mentoras, alguém que venceu no meio de um mar de desencorajamento e testosterona, e que pode servir de modelo para as próximas gerações. O poder feminino é transformador e não deve faltar em nenhuma área promissora do futuro”.

Mariana Requena
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