Suicídio é problema de saúde pública,segundo o Ministério da Saúde

saúde Eliana diz que o CVV de Piracicaba recebe cerca de 2.000 ligações por mês. ( Foto: Amanda Vieira/JP)

Quinta-feira, 4 de outubro, 1h30, a Polícia Militar é acionada para ir até o viaduto da avenida 31 de Março, onde uma pessoa ameaçava se jogar. No local, os policiais encontraram uma mulher nervosa e chorando muito, dizendo a todo momento que queria saltar do viaduto. Os militares iniciaram as negociações de praxe com a vítima que se mostrava irredutível. Aproveitando um momento de distração da mulher, um dos policiais conseguiu puxá-la do parapeito para a calçada onde foi acalmada pela equipe. Logo em seguida, o namorado da mulher chegou ao local e mostrou aos policiais uma mensagem enviada por ela, dizendo que iria se matar e que ele cuidasse dos filhos dela. O rapaz disse que a namorada sofria de depressão profunda e que já havia tentado o suicídio em outras ocasiões. Após o resgate, a vítima foi levada a UPA da Vila Cristina, medicada e depois encaminhada a um Caps (Centro de Atendimento Psicossocial) para acompanhamento psiquiátrico.

A tentativa de suicídio acima foi registrada nesta semana pela PM. De acordo com os dados do Ministério da Saúde, em intervalos de, no máximo, uma hora alguém comete suicídio enquanto outras três pessoas fracassam na tentativa de se matar. Para o órgão federal, no Brasil o suicídio é considerado como um problema de saúde pública.

No início de setembro, considerado o mês de alerta contra o suicídio (Setembro Amarelo) a vereadora Adriana Cristina Sgrigneiro Nunes, a coronel Adriana (PPS), fez um alerta na tribuna da Câmara ao abordar o assunto. “Vivemos uma epidemia de suicídio”, disse a parlamentar na ocasião, ao apresentar os dados de 23 mortes e 156 tentativas somente na cidade em 2017. A parlamentar aproveitou para divulgar o trabalho realizado pelo CVV (Centro de Valorização da Vida), que oferece atendimento por telefone e presencial.

Eliane Soares é coordenadora do CVV em Piracicaba e destaca o trabalho prestado pelos 30 voluntários que se revezam das 11h às 23h no atendimento por meio do telefone 188 ou pessoalmente, na sede da entidade, na Rua Ipiranga, 806. Segundo ela, o pico de ligações é maior à noite. “ Durante o dia a pessoa está no trabalho e não sente o peso da solidão. É quando ela chega em casa, à noite que a solidão e a depressão batem”, contou. O CVV de Piracicaba recebe uma média de 2.000 ligações por mês.

Eliane alerta para que as pessoas busquem conversar e desabafar, seja com um amigo ou familiar ou buscando o CVV. “Quando a pessoa encontra quem a ouça, o fato de falar e não ser julgado, já alivia e ela se sente melhor”, garantiu.

Foi dessa forma que Luís, hoje um dos voluntários do CVV, conheceu o trabalho do centro. “Eu precisei do CVV e hoje sou voluntário, procuro ajudar as pessoas que ligam”, afirmou. Segundo o voluntário, grande parte das pessoas que procuram o CVV não têm com quem conversar. Segundo ele, o que chama a atenção é o extremo da clientela. “São crianças e adolescentes de 12 a 16 anos até idosos”, afirmou.

No dia em que a reportagem do Jornal de Piracicaba esteve no Centro de Valorização da Vida, ele contou que recebeu o telefonema de uma senhora de 86 anos, de Porto Alegre, que ligou para falar da solidão depois que os filhos se mudaram para São Paulo e ela vive só”, contou. “Se alguém está buscando ajuda e pensando em suicídio, que busque o apoio do CVV, seja por telefone ou pelo chat”, aconselhou Eliane.

(Beto Silva)