Suicídio; o desejo de acabar com o sofrimento, a dor estampada aos demais

Para algumas pessoas, em determinados momentos da vida, pensar na morte como estratégia de única saída para uma situação limite de sofrimento físico ou psíquico, pode parecer a única solução possível. Mediante a muita angústia, desespero e falta de esperança é possível que alguns indivíduos pensem em renunciar o direito de viver, pois pode parecer a melhor forma de lidar com a situação que lhe gera tamanha dor, e parecer à única saída encontrada, já que as demais possibilidades resultariam em um esforço inútil.

O suicídio raramente é uma decisão repentina apesar de as pessoas próximas relatarem o acontecimento como algo inesperado. Na maioria dos casos, a pessoa com a pretensão do suicídio constrói planos, estabelece datas e define seu planejamento por algum tempo, antes de colocá-lo em pratica e concluí-lo.

São mais raros os casos de suicídio realizado de maneira impulsiva, pelo calor da situação momentânea. Entre os fatores de risco associados ao suicídio estão: transtornos mentais; como depressão, bipolaridade, esquizofrenia, situações como isolamento ou vulnerabilidade social; desemprego, questões psicológicas como; perdas recentes, problemas na dinâmica familiar e condições clinicas incapacitantes como; lesões desfigurantes, dor crônica, doenças sem perspectivas de cura.

Por outro lado o uso das drogas, principalmente cocaína e álcool, aumentam a impulsividade e consequentemente o risco do suicídio. São inúmeros os fatores que podem ocasionar o suicídio e qualquer pessoa no decorrer da vida poderia se encaixar em uma dessas situações.

Desta forma, não podemos olhar para o suicida como um doente, podendo ser alguém que passa por uma dor que julga insuportável. E inclusive pode ser que tal ato não implique num desejo de acabar com a vida, mas sim na intenção em fazer a dor parar por não suporta-la mais. Resumindo é uma maneira extrema de comunicar a solidão do sofrimento aos outros, um pedido tardio de socorro.

Estudos apontam sinais característicos de quem pensa em suicídio como; depressão, desamparo, desesperança e desespero, que podem ser evidenciadas por meio de atitudes, falas, mudanças bruscas de comportamentos. Quanto mais laços afetivos o individuo possuir, menor o risco de suicídio. Conversar sobre os sentimentos é essencial, procurar tratamento especializado com psicólogos e médicos psiquiatras, com uso medicamentoso se for o caso.

De acordo com o relatório da Organização Mundial da Saúde, o Brasil é o quarto país com maior crescimento de casos de suicídios na America Latina, apontando um aumento de 10% última década. É essencial estar atento aos indivíduos que falam em suicídio, pois além de um alerta pode ser um pedido de ajuda.

O suicida deposita um débito de culpa na família, assim em uma sociedade individualizada, nada mais conveniente do que pensar o suicídio como uma ação deslocada, meramente pessoal, do que fazer uma ligação com o mal estar social. Para a psicanálise de Freud, o suicídio seria a volta da destrutividade contra o próprio sujeito. Desta forma é uma agressão voltada para o interno, contra o objeto de amor introjetado e investido, com um desejo deprimido de matar o outro que volta para si mesmo.