Superando os dramas da vida e ser feliz

Plinio Montagner

Não perdoar, e inimizades, são trevas”

(Papa Francisco – 2018)

A ciência demorou quase três séculos para rejeitar a tese do filósofo francês René Descartes (1596-1650), considerado o pai da filosofia ocidental moderna, pelo dogma em que a mente e o corpo são inconciliáveis, isto é, não se afetam. Um erro crasso que a ciência provou: corpo doente afeta a mente, e mente angustiada afeta o corpo.

O alemão Immanuel Kant (1724-1804) também se enganou ao sustentar essa assertiva: “Se você se sente bem por ajudar alguém, esse comportamento perde valor moral por impedir que o homem fique contente quando deixa o outro feliz” – fato também rejeitado cientificamente.

Bem próximo de nossos dias, Tal Bem-Shahar, de 48 anos, psicólogo israelo-americano, se tornou uma autoridade mundial em como ser feliz, no curso ministrado em Harward citado em artigo da Revista Veja (12 de dezembro de 2018) pela jornalista Maria Clara Vieira.

O mérito do psicólogo está em ajudar as pessoas na busca da felicidade. Inexplicavelmente, algumas, senão a maioria, são infelizes, tendo tudo.

Shahar procura explicar por que elas são deprimidas e como acabar com suas tristezas. Elas se sentem assim porque têm entendimento completamente equivocado e irreal sobre a natureza da felicidade.

Há muitos séculos Aristóteles lembrava aos gregos que o sucesso exterior não leva à felicidade. Essa questão ainda está em voga porque a humanidade, nesses últimos séculos, não necessita mais se preocupar tanto com a alimentação, com o ataque de animais selvagens, com a busca de abrigos na natureza e por outras adversidades. Assim sobra-lhe tempo para apostar em exigências falsas de felicidade e respostas ao sentido da vida.

Com as descobertas e invenções do homem, as pessoas vão ficando mais seletivas na procura (infeliz, ou não) de querer melhorar o que está bom e de possuir o que não precisam, indo e voltando, numa insatisfação constante, ao mesmo ponto no circuito da vida. Como consequência, Esse luxo faz mal à mente antes de fazer mal ao corpo.

Outra questão é a ideia de que as pessoas religiosas são mais felizes porque creem no sentido da vida sem exigir provas. Mas não é apenas a fé, para Shahar, a condição para a felicidade. O ser humano pode ver sentido em qualquer coisa da natureza, inventada, e ainda a descobrir, sendo assim feliz do seu jeito.

Mil amigos no facebook não substituem um amigo sincero no mundo real; uma família numerosa não tem o mesmo efeito quando todos estão mexendo no celular.

Sabe-se que algumas dores são superadas naturalmente e que outras exigem tratamentos médicos, isso porque existem diferentes níveis de resistência: o que para umas pessoas traumatizam, para outras não afetam, pelo menos com a mesma intensidade.

É preciso ser indiferentes, ou inteligentes, para saber viver, como a música dos Titãs:

Toda pedra no caminho, você pode retirar; numa flor que tem espinhos, você pode se arranhar; se o bem e o mal existem, você pode escolher…”.

É preciso saber viver… É preciso saber Viver….”.