Suposta apologia ao racismo tumultua Parada LGBTQ+ de Piracicaba

Drag queen fez apresentação “enaltecendo” o Ku Klux Klan. (Foto: Reprodução/Twitter)

A organização da 13ª edição da Parada do Orgulho LGBT de Piracicaba, que acontece no próximo domingo (10), quer conscientizar a população sobre a violência. Com o tema “Prefiro ter um filho amado que um filho armado”, ironicamente o evento está no centro de uma polêmica que envolve acusações de apologia ao racismo, ameaças e críticas de entidades de defesa das comunidades Negra e LGBT.

O presidente da ONG (Organização Não Governamental) Casvi (Centro de Apoio e Solidariedade à Vida), Anselmo Figueiredo, é o principal alvo de críticas e, segundo ele, de ameaças.

O estopim da polêmica LGBT foi a apresentação da drag Queen Verona, de Campinas, durante um evento de preparação da Parada, realizado no Engenho Central, no dia 26 de outubro. A artista se apresentou no palco do evento usando uma roupa típica de membros da Ku Klux Klan – seita americana conhecida por perseguição a negros, judeus e católicos.

Na apresentação, a artista usou um boneco negro para simbolizar um bebê, que foi degolado e teve o sangue bebido pela drag queen. Apesar de o fato ter ocorrido dez dias atrás, só nesta semana a performance passou a ser questionada e duramente criticada nas redes sociais.

Uma nota de esclarecimento da Casvi gerou mais manifestações de pessoas criticando e questionando a apologia ao racismo em um ambiente que deveria defender a igualdade.

A enxurrada de críticas, no entanto, não se restringe a Piracicaba. Representantes de entidades de cidades como Campinas e Limeira se manifestaram nas redes sociais contra a organização do evento.

Em Piracicaba, o Conepir (Conselho do Negro de Piracicaba) e o CDCPN (Centro de Documentação, Cultura e Política Negra de Piracicaba) divulgaram nota informando que encaminharão denúncia crime à Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania.

O conselheiro Agnaldo Benedito de Oliveira, o Guina, disse ontem que não se busca retaliação e, sim, explicações “pelas atitudes de uma ONG que combate todo tipo de racismo preconceito e intolerância”.

Figueiredo disse ontem que registrou um Boletim de Ocorrência por ameaças de morte que está recebendo. “As pessoas estão querendo vingança, não justiça”, afirmou. Para ele, a apresentação foi um ato isolado e justificou que “a organização não poderia intervir na apresentação da artista porque não compactua com a censura”.

Beto Silva

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