Surpresa desagradável

Entra ano, sai ano, a novela se repete, a partir de janeiro. Senta, que lá vem aumento (e não é do seu salário)! É IPVA, IPTU, contas de água e de luz, lista do material escolar, o preço do uniforme das crianças. A lista parece não ter fim.
 
Desta vez, o que pesará para o piracicabano é o reajuste na tarifa de água e esgoto, que será de 6,94%. O Jornal de Piracicaba divulgou recentemente que a nova tarifa iria valer a partir de março na cidade, logo, as contas com o aumento chegarão nas residências e estabelecimentos comerciais e industriais em abril. Ainda que o índice seja menor que o de anos anteriores, causa espanto o fato de o percentual estar 135% acima da inflação oficial.
 
Segundo o Semae, o cálculo levou em consideração a necessidade de manutenção do equilíbrio financeiro da autarquia e possibilitará a retomada de investimentos nas obras de melhorias da distribuição de água. Mas e a necessidade do consumidor, fica aonde?
 
Nos últimos anos, a tarifa de água e esgoto tem sido uma caixinha de surpresas e, em nenhuma delas, a situação foi agradável. Para quem não se lembra, a cidade chegou a ter três reajustes em menos ano, assunto que foi parar na Justiça.
 
No ano passado, por exemplo, a conta ficou 9,98% mais cara para os consumidores residenciais, industriais e empresariais em todas as faixas de consumo. Em 2016, o índice foi de 13,44%. Em 2015, aumento de 9,12% (em março) e 15%, que passaria a valer em agosto, porém suspenso pelo Ministério Público, mas com recurso ganho pela prefeitura no Tribunal de Justiça (TJ-SP), cujo entendimento foi de que não havia ato abusivo nos cálculos.
 
Para dar conta do recado de tantas despesas, o consumidor já pode ser elevado ao status de profissional de circo. Há duas opções: pode se transformar em um verdadeiro malabarista ou desenvolver técnicas de acrobacia para tirar o dinheiro da carteira, sem, no entanto, deixá-la vazia.