Tanquã, esperança de proteção

Conhecido como Pantanal Paulista, o bairro do Tanquã e o Barreiro Rico podem finalmente ganhar proteção oficial e garantir sua biodiversidade. A proposta estará sendo analisada pelo Condema (Conselho Estudual de Meio Ambiente) do Estado de São Paulo, colegiado ligado à Secretaria Estadual de Meio Ambiente, que tem poderes deliberativos. Leia os detalhes da proposta na matéria de Eliana Teixeira publicada na página A 5 desta edição.

Mas, por que proteger Tanquã e o Barreiro Rico pode ser importante? Há quem nem ache necessário manter a cultura indígena, porque acredita que índios não trabalham e não geram renda. A humanidade se acostumou a uma definição de riqueza totalmente ligada à acumulação, posse e raridade de seus bens. Contudo, há riquezas que não são tão pálpaveis, com imóveis, dinheiro e joias e nem por isso são menos importantes. Pense um copo de água pura, que valor pode ter isso perto de uma esmeralda? Você trocaria fácil esse copo pela pedra preciosa, Vamos melhorar, imagine o mesmo copo de água, você num deserto há dias sem beber água e a esmeralda. Qual sua escolha agora? Tenho certeza de que vai preferir a vida.

Tanquã e Barreiro Rico são isso, vida. Nosso problema é achar que apenas a vida humana é importante, aliás a humana mais próxima: eu, meus filhos, pais e irmãos. Contudo, a vida animal e vegetal são tão importantes quanto a de qualquer ser humano porque não há na cadeia biológica uma espécie melhor que outra. Proteger áreas e espécies é garantir o futuro da humanidade, seja por meio da manutenção de matas e plantas que protegem o solo, os rios e alimentam os animais, quanto sua riqueza biológica ainda inexplorada. Espécies de plantas podem gerar medicamentos, matéria-prima para diversos produtos, sendo que o mesmo ocorre com os microorganismos.

Estima-se que o processo de desmatamento já destruiu milhares de espécies de animais, plantas e microorganismos que fazem falta ao equilíbrio do ambiente. Para se ter uma ideia, vivemos nas cidades um problema sério com escorpiões que se adaptaram aos esgoto e se alimentam pequenos insetos, contudo sem predadores se tornaram uma praga urbana perigosa. Na semana passada uma menina de dez anos morreu ao ser picada quando calçava seu tênis e, novamente, na perna. Pior que isso, não há inseticida para para combater os escorpiões. A culpa? Nossa que desequilibramos os sistemas ambientais, destruímos espécies e achamos que só o ser humano é necessário. Mais uma vez vamos voltamos ao copo de água e a esmeralda. Aprendemos a valorizar o que realmente importa quando já é muito tarde. Proteger Tanquã é Barreiro Rico é valorizar vários copos de água!

( Alessandra Morgado)