Taxas futuras de juros sobem com dólar e cautela sobre regra fiscal

As taxas de juros operam em alta nesta segunda-feira, 8, pressionadas pelo dólar forte e alguma cautela local. O mercado está digerindo a pesquisa Focus, que mostrou alta da projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2017, mas baixa para a estimativa para 2018. Já o dólar mostra viés de alta ante divisas principais e moedas emergentes e ligadas a commodities, incluindo o real.

Na sexta-feira, as taxas já fecharam em alta moderada, reagindo a ajuste após quedas recentes e diante do incômodo do investidor com o impacto da mudança em estudo da regra de ouro do Orçamento. Sobre esse assunto, o procurador que denunciou as pedaladas fiscais no governo da ex-presidente Dilma Rousseff, Julio Marcelo, afirmou no fim de semana que abrir mão da chamada regra de ouro é quebrar a responsabilidade fiscal e um retrocesso histórico para as finanças públicas do País.

A proposta de flexibilizar a regra que impede o endividamento para pagar despesas do dia a dia do governo está sendo costurada com a Câmara.

Às 10 horas, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2019 estava em 6,815%, de 6,795% no ajuste de sexta-feira. O DI para janeiro de 2020 a 8,02%, na máxima, de 7,99% no ajuste de sexta-feira. O DI para janeiro de 2021 subia a 8,93%, de 8,89% no ajuste de sexta-feira. Já o DI para janeiro de 2023 avançava a 9,82%, de 9,79% no ajuste de sexta-feira. No câmbio, o dólar à vista subia 0,17%, aos R$ 3,2393.

O dólar futuro de fevereiro estava em alta de 0,26%, aos R$ 3,2480. Em Nova York, o dólar subia para 113,07 ienes, de 112,73 ienes na tarde de domingo; e o euro caía para US$ 1,1984, de US$ 1,2068 no fim da tarde de sexta-feira.

Nesta segunda, a pesquisa Focus mostrou que a mediana para o IPCA no ano passado foi de 2,78% para 2,79%. Já a projeção para o índice de 2018 passou de 3,96% para 3,95%. Na prática, as projeções de mercado divulgadas indicam que a expectativa é de que a inflação fique levemente abaixo do piso da meta, de 3,0%, em 2017.

O centro da meta para o ano passado e 2018 é de 4,5%, com margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual (inflação de 3,0% a 6,0%). Os economistas mantiveram suas projeções para a Selic para o fim de 2018 em 6,75%. A Selic está atualmente em 7,00% ao ano.

O mercado alterou suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2017 e 2018. A expectativa de alta para o PIB no ano passado passou de 1,00% para 1,01%. Para 2018, o mercado reduziu a previsão de alta do PIB de 2,70% para 2,69%.

Ao longo desta semana os investidores aguardam pela divulgação da inflação ao consumidor do Brasil, o IPCA, na quarta-feira, além das vendas no varejo de novembro, na terça, e pesquisa de serviços, na sexta-feira. No exterior, as atenções estão na inflação ao consumidor, o CPI, dos Estados Unidos (sexta-feira) e da China (terça).

Sobre o IPCA, caso seja confirmada uma inflação abaixo dos 3%, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, precisará escrever uma carta aberta ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, para justificar o fato de o IPCA não ter ficado dentro da meta.