Telefone do gabinete do prefeito é usado por partido

Três números telefônicos constam na ficha do diretório piracicabano do PSB (Partido Socialista Brasileiro) no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Na tentativa de contatar o ex-prefeito Gabriel Ferrato, presidente municipal do partido, o JP tentou ligar nos três. Um deles, fixo, não chamava. Outro, de celular, foi atendido pelo proprietário, que disse que não era do partido. O terceiro e último também era fixo. Ao invés de Ferrato, uma secretária atende: “boa tarde. Gabinete do Barjas”.
 
O telefone pertence à Prefeitura de Piracicaba e fica no gabinete do atual prefeito Barjas Negri (PSDB). O número também era utilizado pelo gabinete do ex-prefeito Ferrato, que comandou o Executivo de 2013 a 2016. O político disse que não sabe quem colocou o número da prefeitura no cadastro partidário. O contato da prefeitura aparece cadastrado como“fax” no TSE. O JP ligou para o número, que caiu direto no gabinete do atual prefeito Barjas Negri. A secretária afirmou que não havia ninguém do PSB no local.
 
Para o advogado e professor de direito administrativo, Paulo Braga, o número da prefeitura não poderia estar cadastrado em uma ficha partidária “em nenhuma hipótese”. “Ele poderia incorrer em improbidade administrativa por violação dos princípios da moralidade, da impessoalidade da administração. É o que está previsto no artigo 11 da lei 8.429/1992”, disse Braga. No entanto, o advogado ressalta que seria necessária uma prova efetiva para se enquadrar como improbidade. “Em juízo, se pensar que o Ministério Público vá propor uma demanda para questionar esse ato, teria que ser demonstrado que ele (Ferrato) usava aquele número para fins partidários.”
 
Ao ser informado pelo JP que o telefone da prefeitura estava no cadastro do TSE, Ferrato gargalhou e disse que não sabe quem colocou o número. “Eu entrei no PSB em julho de 2016. Alguém, não sei quem, deve ter colocado esse número do meu gabinete. Nós (PSB) não temos sede, esse endereço (da rua) é meu, pessoal”, disse.
 
O político disse não reconhecer o celular cadastrado, mas acredita que também poderia ser “da época da prefeitura”. Já o outro número fixo é particular de Ferrato. Ele pretende atualizar as informações no TSE e afirmou que não utilizava o telefone para fins partidários. “Alguém na época colocou esse número (da prefeitura). Não sei quem, não lembro mais. Alguém que me ajudou na filiação, acho que não era daqui. Acho que quando fizeram isso, colocaram os meus números todos”, sugestionou Ferrato.
 
A assessoria de imprensa da prefeitura informou que a chefia de gabinete não tinha conhecimento do fato, e que o ramal pertence ao gabinete desde 1989. A prefeitura não respondeu se pretende tomar alguma medida.
 
O promotor eleitoral da 93ª Zona Eleitoral de Piracicaba, Roberto Pinto dos Santos, afirmou que pretende abrir um inquérito para apurar o caso. “Não há nada que possa apontar que esse equipamento possa ter influenciado nos pleitos eleitorais, nenhum indício disso. Agora, é necessário uma regularização. Até porque os partidos tem que colocar algo que seja verdadeiro. Não pode ter vínculo com a Administração. Partido e prefeitura são coisas bem distintas”, disse, ao mencionar a intenção de emitir portaria e inquérito para investigar o caso, assim que chegar ao seu conhecimento oficialmente o fato.