Tenente-coronel da PM Rodrigo Eval Arena: Dedicação integral à comunidade

(Foto: Amanda Vieira/JP)

O tenente- coronel Rodrigo Eval Arena, um dia, foi mais um garoto que ficava admirado quando passava por um policial militar na rua. Apesar de nunca ter tido um familiar próximo como membro da corporação, ele sempre teve em mente que um dia queria ser um policial, e conseguiu. Enquanto ainda estava no colégio teve o foco de preparar-se para prestar a Academia Barro Branco, que forma os oficiais da corporação. O que era apenas um sonho tornou-se realidade. Como a maioria dos oficiais da Polícia Militar, a rotina de estudos e aperfeiçoamento passou a ser constantes, tanto pela necessidade do trabalho, pois entre as funções de um oficial está a coordenação das equipes, bem como a aspiração para novos cargos, que necessitam de um aperfeiçoamento, de mestrado e doutorado, para aqueles que almejam checar ao topo da carreira, que é a patente de “coronel”.

Atualmente, ele é o comandante do 10º BPM/I (Batalhão da Polícia Militar do Interior), sediado em Piracicaba, mas é responsável por 11 municípios da região. Ele assumiu a função em fevereiro de 2019, desde a aposentadoria do recém-promovido a coronel, Willians de Cerqueira Leite Martins, que passou a comandar o CPI-7 (Comando de Policiamento do Interior), de Sorocaba.

A chegada a Piracicaba do coronel Rodrigo, como é conhecido entre seus colegas e subordinados não foi nenhuma novidade, pois conhece a cidade faz tempo. Sua primeira experiência por aqui foi em fevereiro de 2016, quando chegou ao município ainda como tenente. Tudo era bem diferente naquela época, Piracicaba tinha apenas uma companhia, que era responsável pelo patrulhamento da cidade inteira, e também sediava a 2ª Companhia, que era responsável pelos municípios localizados em pontos distintos como São Pedro e Capivari.

Durante a entrevista ao Jornal de Piracicaba, o novo comandante fez um paralelo do desenvolvimento de Piracicaba, que considerou como uma cidade dinâmica, que foi acompanhada pela Polícia Militar, que ao longo dos anos, ganhou mais companhias, seu batalhão e também sedia o CPI-9, que atende 52 municípios.
Rodrigo disse que na realização de seu comando pretende continuar com as
ações para aumentar as prisões dos foragidos da Justiça. Somente em 2017, foram recapturados 546 foragidos, outros 592 em 2018. A meta é continuar com esse aumento neste ano. Confira a entrevista:

Porque escolheu a Polícia Militar?

Foi um sonho de garoto. Não tinha nenhum parente próximo que fazia parte da corporação. Sempre quando via um policial tinha em mente que queria ser um policial. Fiz o colegial pensando em prestar o exame da Academia Barro Branco e consegui. Entrei na Academia no dia 15 de janeiro de 1990. Na época, eram quatro anos de formação, depois foi reduzido para três anos e oito meses. Formei-me em agosto de 1993. Fui para São Paulo e depois vim para a região de Piracicaba.

Como foi sua formação como policial militar?

Formei-me na academia do Barro Branco, em agosto de 1993. Saí como aspirante. Fui trabalhar na área Central de São Paulo, onde fiquei até fevereiro de 1996, quando me apresentei em Piracicaba e fiquei até abril de 2000. Fui para Rio Claro, onde trabalhei como tenente, depois fui promovido a capitão. Em junho de 2014 passei a major e voltei a trabalhar em Piracicaba. Na época, o batalhão era perto do Engenho. Peguei essa transição, quando o batalhão veio para o antigo prédio dos bombeiros e fiquei até junho do ano seguinte. Como a tenente-coronel fui para São João da Boa Vista, onde fiquei por quatro meses. Já iria voltar novamente para Piracicaba, mas o coronel Érico pediu que ficasse em Rio Claro até que saísse a promoção do coronel Cerqueira.

A rotina de estudos é contínua dentro da Polícia Militar?

Quando fui para Rio Claro, também fiz o curso de direito e o nosso mestrado profissional, que é um pré-requisito para você ser promovido de capitão a major, pois precisa do curso de Aperfeiçoamento de Oficiais. Então, fiz o meu mestrado profissional em ciências policiais de segurança e ordem pública, em 2012, no Centro de Autos Estudos de Segurança da própria polícia, que é o órgão de pós-graduação da Polícia Militar. Depois segui com meu doutorado em 2017. O doutorado habilita a promoção a coronel, como aconteceu com tenente-coronel Cerqueira.

O que representa a Polícia Militar para o senhor?

A Polícia Militar é uma família. É mais do que uma profissão, pois é uma missão, na verdade. Com todas as peculiaridades que ela tem. Podemos ser acionados a qualquer hora e a qualquer momento e você está o tempo todo a serviço da comunidade.

Qual a sua avaliação sobre Piracicaba?

Piracicaba é uma cidade muito dinâmica. Posso traçar um paralelo da cidade e a polícia que encontrei aqui, quando cheguei em 1996. A cidade evoluiu muito e a polícia acompanhou essa evolução. Naquela época, Piracicaba tinha apenas a 1ª Companhia, que tomava conta cidade toda. Agora temos três companhias, temos o comando regional, que é o CPI-9 (Comando de Policiamento do Interior) e a sede do 10º BPM/I. Na época não tinha nada disso. Capivari e São Pedro, que ficam em lados opostos pertenciam a 2ª Companhia, que ficava sediada em Piracicaba, ou seja, a mesma companhia se preocupava com o policiamento em São Pedro, Santa Maria da Serra, Charqueada, Águas de São Pedro e também Capivari, que atingia todo aquele lado como Rafard e outras cidades. Hoje temos a 3ª Companhia em São Pedro, a 2ª Companhia em Capivari. Então a parte gerencial de comando foi descentralizada e isso facilitou bastante. Tem um capitão nos respectivos locais, interagindo com a comunidade e com as autoridades locais.

Foi bem recebido em sua chegada em Piracicaba?

Sim, nas três vezes em que cheguei à Piracicaba. Já estive com o prefeito (Barjas Negri – PSDB) que me deu as boas-vindas e me desejou um bom trabalho. Aprendi muito na parte operacional. Na minha primeira experiência na cidade, fiquei o tempo todo na rua, mas de 90% da minha atuação foi na rua. Na época participei da criação das equipes táticas.

Qual sua linha de trabalho?

É um desafio manter a mesma qualidade, os mesmos bons resultados, que hoje é do coronel Cerqueira. Ele conseguiu manter bons índices criminais. O último resultado da SSP mostrou os índices. Isso é o fruto do trabalho de toda a equipe. Piracicaba conta com policiais muito bons. A linha é continuar trabalhando de maneira harmoniosa e trabalhando para manter os bons índices. Inclusive melhorá-los.

A PM tem a preocupação de prender os foragidos da Justiça?

Em 2017 tivemos 546 procurados recapturados na região do 10º BPM/I, que envolve o município de Piracicaba e mais dez cidades, tanto no sentido a São Pedro como a Capivari. Em 2018 foi para 592, já houve um aumento e nosso objetivo é continuar com esse aumento nas prisões em 2019, que consideramos como índices de produtividade, cujo nosso objetivo é aumentá-los e os índices criminais são reduzi-los.

Por que a prioridade em relação às prisões dos foragidos da Justiça?

São vários fatores que podemos considerar. Primeiro, a questão do procurado que tem uma pena imposta pela Justiça e que tem que cumprir. Isso evita aquela sensação de impunidade, pois isso serve de exemplo para outros criminosos. Sendo assim, são muito importantes as prisões desses condenados pela Justiça. Mas nem todos já foram condenados em sentenças transitadas e julgadas. Envolvem também aquelas pessoas que estão com prisões cautelares decretadas, que são os mandados de prisões preventivas ou temporárias. Não foram condenados, mas precisam aguardar presos durante o andamento da investigação ou processo.

Qual sua avaliação sobre a atuação do Canil da PM com outras forças policiais, na detecção de drogas, por exemplo?

Os trabalhos em conjunto devem continuar, pois é uma das fórmulas do sucesso por meio das integrações com os policiais civis da Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes). Não somente com a Polícia Civil, mas também a Guarda Municipal e setores da prefeitura que cuidem da fiscalização de posturas, alvarás.

Qual foi a primeira ação conjunta realizada na sua gestão?

Foi no Carnaval. Realizamos uma reunião com Guarda Municipal e também com a Semactur (Secretaria Municipal da Ação Cultural e Turismo de Piracicaba), que organizou os eventos em locais onde seriam realizadas atrações e quais as suas características e necessidades das respectivas apresentações.

Como que é feita a comunicação da polícia?

Hoje temos o Copom (Centro de Operações da Polícia), que fica sediado no CPI-9. Quando cheguei em 1996 era de uma forma e hoje é completamente diferente. O Copom tem tecnologia de ponta e segue os mesmos padrões do Copom São Paulo. É informatizado, todas as ligações são gravadas. Tudo o que os policiais falam são gravados. Foi um avanço muito grande.

Como é a agilidade da comunicação no Copom?

Conseguimos saber ao mesmo tempo o que está acontecendo em pontos opostos como as ocorrências de Sumaré, Hortolândia, Rio Claro, Piracicaba, Limeira ou outros municípios. Então, o Copom congrega tudo isso nas 52 cidades atendidas pelo CPI-9. Podemos dizer que é o “cérebro” da Polícia Militar, por exemplo, hoje um roubo em Araras ou Limeira e dependendo do sentido em que os criminosos tomaram para a fuga, o Copom tem condições de informar em tempo real e imediato. O setor está todo digitalizado. No passado, o pessoal comprava um rádio no Paraguai e o bandido ouvia na frequência da polícia. Hoje já não é mais possível. Temos toda essa diferença.

Nos momentos de lazer, quais são suas práticas?

Meu principal esporte é a corrida, confesso que futebol não é muito o meu forte. Até gosto de assistir algumas partidas, mas jogar não é a minha praia. Além de corrida, também gosto de musculação. Quando sobra um tempinho.

Gosta de ler?

Minha preferência é mais pelas obras jurídicas, principalmente a parte de direito público e constitucional.

Cristiani Azanha