Tenente representa a imagem da Polícia Militar no CPI-9

Mulher de garra que se dedica com amor na carreira que escolheu e cuida da família. (foto: Claudinho Coradini/JP)

Apaixonada pela carreira, a tenente da Polícia Militar Luciana Batista Telesca, afirma que se sente realizada na escolha que fez. Com muita garra e determinação, hoje ela representa a imagem da corporação como chefe do Setor de Comunicações do CPI-9 (Comando de Policiamento do Interior) de Piracicaba que atende 52 municípios da região e coordenadora da primeira turma da Escola de Soldados da Polícia Militar, que começou neste ano, na cidade.

A mesma dedicação na carreira faz parte da rotina de Luciana com a família. É “mãe-coruja” de Ariel de 13 anos, que é seu grande companheiro no coração e na vida.

Confira um pouco mais sobre essa mulher de garra para o Persona:

 Como foi a sua criação, qual a recordação que tem de seus pais? Poderia falar um pouco sobre eles?

Nasci numa família muito humilde, no interior de São Paulo, região de Araçatuba, numa cidade de aproximadamente 4.000 habitantes, mas morávamos em uma fazenda, onde meu pai trabalhava e onde passei toda a minha infância e adolescência; apesar de meus pais não terem riquezas e bens materiais, eu e meus irmãos nunca passamos nenhuma necessidade, pois nossos pais trabalhavam muito para nos proporcionar o necessário para termos uma vida próspera e feliz, e o mais importante, nos ensinaram valores e princípios que levamos até hoje, ndependentemente de onde estivermos.

 

Qual foi a sua formação? Quais colégios e faculdade?

Minha mãe trabalhava em uma escola estadual, e por não ter com quem me deixar, ela me levava junto para o serviço, eu ficava na sala de aula com as outras crianças, e sempre queria levar livros para casa, aos 4 anos de idade eu já sabia ler e escrever, o que naquela época era algo raro de se ver, desde cedo eu já havia tomado gosto pelo estudo, pela escola e pelo aprender, isso me ajudou muito em toda minha vida e trajetória. Estudei sempre em escola pública até o ensino médio, só fui fazer faculdade depois que ingressei na Polícia Militar, atualmente possuo graduação em Direito e pós graduação em Ciências Jurídicas, esse ano voltei a cursar Letras que tive de parar devido ao ingresso no Barro Branco, e não pretendo parar por aí, busco sempre me aperfeiçoar fazendo cursos e estágios dentro e fora da Instituição.

 

Quais ocupações teve antes da corporação?

Quando eu passei no concurso da Polícia Militar, eu tinha 18 anos de idade, foi meu primeiro e único emprego formal, antes eu ajudava meus pais com as coisas da Fazenda, eventualmente eu trabalhei como babá ou cuidadora de idosos quando alguém precisava, mas eu sempre gostei de trabalhar com pessoas e ajudar onde fosse preciso.

Em qual momento de sua vida decidiu ser PM?

Quando tinha aproximadamente 18 anos, fui junto com minha madrinha visitar uns parentes na cidade de Americana, onde conheci sua sobrinha que era soldado da PM em Americsna, a soldado PM Ângela, hoje Sargento que já está aposentada.

Ela me inspirou de alguma forma, pois a partir daí procurei saber como fazer para ser policial, descobrindo que havia um concurso para soldado feminino em São Paulo. Prestei o concurso, no início até sem muitas expectativas, pois havia poucas vagas para muitas candidatas. Apesar das dificuldades, decidi focar no que precisava ser feito, seguindo em frente, vencendo cada fase, quando me dei conta que já havia passado em todas elas e estava me apresentando para iniciar o curso em São Paulo, cidade que só conhecia através dos noticiários de TV. Quando ingressei na polícia, vislumbrei tudo que poderia fazer em um só lugar, tendo o privilégio de descobrir a realização de todos os sonhos pessoais e profissionais, logo aos 18 anos de idade.

Quais foram as primeiras funções?

Logo que me formei trabalhei no policiamento ostensivo, na região da Lapa, Zona Oeste da Capital. Apesar de trabalhar no serviço operacional, atividade fim, sempre fui voluntária para auxiliar na Seção de Relações Públicas, nos eventos e solenidades do Batalhão, percebendo que gostava daquela atividade. Logo depois, meu comandante à época, solicitou que eu fizesse o curso do Proerd (Programa Educacional de Resistência às Drogas), pelo qual me apaixonei. Desta forma, fiz vários cursos de aperfeiçoamento nessa área educacional e descobri minha segunda paixão: ensinar.

 

O que representa ser PM para a Sra?

Tudo que sou e tudo que tenho devo, primeiramente, a Deus, que me proporcionou a oportunidade e o privilégio de ingressar numa das maiores e melhores instituições que conheço. A Polícia Militar do Estado de São Paulo nos apresenta inúmeras oportunidades de crescimento pessoal e profissional, despertando dons e talentos os quais são utilizados em favor do próximo, colocando-nos numa posição de auxiliadores na construção de uma sociedade melhor.

Por que a maioria das pessoas e principalmente as crianças gostam tanto da polícia?

Eu me sinto muito feliz e realizada quando saio nas ruas e percebo o carinho, gratidão e consideração das pessoas, em especial das crianças, que nos traz tanta pureza e sinceridade apenas com um olhar. Faço questão de parar, cumprimentar, dar um abraço, conversar, dar atenção para que eles tenham um referencial positivo da polícia. Estou sempre preocupada em não passar qualquer imagem contrária ao acima citado, deixando claro que estamos nas ruas para servir e proteger. Acredito que a população tem compreendido cada vez mais o verdadeiro papel das polícias, apoiando e buscando uma polícia parceira da comunidade.

Quais unidades já passou?

Após trabalhar por 11 anos em São Paulo, na Zona Oeste e Zona Sul, ingressei no Curso Superior de Sargentos em 2010, decidindo trabalhar em Piracicaba ao término desta formação. Permaneci de 2011 a 2013 em Piracicaba, quando decidi voltar a São Paulo tendo em vista haver ingressado na Academia de Polícia Militar do Barro Branco, onde permaneci de 2014 a 2016.

Em 2017, como aspirante a oficial, trabalhei em Araçatuba e região, tendo a oportunidade de estar mais perto da minha família. Em virtude da promoção a 2ª tenente PM, tive de escolher outro batalhão, sendo classificada em Americana, voltando para a região do CPI-9, onde permaneci até junho de 2018, momento em que solicitei minha transferência para o 10º BPM/I-Piracicaba, local onde resido com meu filho.

Infelizmente o trote faz parte da rotina dos bombeiros e policiais? Quais as consequências desses trotes para a corporação?

 

Infelizmente a prática de trotes ainda é muito recorrente nas ligações aos serviços de emergência (190, 193 e outros), refletindo negativamente na qualidade de atendimento dos cidadãos. O deslocamento para falsas chamadas, tornam indisponíveis as viaturas dos serviços emergenciais, as quais desguarnecem suas áreas temporariamente verificando ocorrências inexistentes, sendo a própria população sofredora das consequências de tais atos criminosos.

É importante que as pessoas se conscientizem dos impactos negativos dessa ação.

Durante sua função como PM, quais foram as situações mais difíceis que encontrou?

Em 19 anos de serviço, dentre inúmeras situações difíceis, certamente algumas nos marcam, como as que envolvem salvamento de crianças e adolescentes, pois são ocorrências mais sensíveis.

 

Como é trabalhar nesse universo masculino?

A profissão que escolhi é predominantemente masculina, pois as mulheres perfazem aproximadamente 13% do efetivo da Polícia Militar do Estado de São Paulo, número esse que não nos impede de exercer as mesmas funções, inclusive cargos de comandamento, com as mesmas prerrogativas, os mesmos direitos e deveres. Inclusive, cumpre ressaltar que todos os homens e mulheres em igualdade de posto e graduação recebem o mesmo salário. A instituição Polícia Militar não aceita distinção pelo sexo, prevalecendo apenas a capacidade intelectual do profissional.

Como é representar a Comunicação Social do CPI-9?

Recebi o convite de meu atual comandante, coronel PM Érico.

Sinto-me muito honrada e feliz, pois agora posso exercer plenamente a função pela qual mais me apaixono a cada dia.

Como recebeu a função de coordenar a escola de soldados do CPI-9?

Recebi como um presente de Deus, por meio de um convite do meu atual Comandante.

Além da grande responsabilidade de formar novos policiais, tal função é uma missão totalmente nova para mim, coordenando uma Escola de Soldados. Entretanto, com o apoio de meu comandante e o auxílio dos meus colegas e colaboradores, sempre comprometidos com o êxito da missão, tudo está fluindo muito bem. Sinto-me privilegiada por estar entre profissionais de excelência, os quais contribuem diariamente para meu crescimento pessoal e profissional, tornando cada desafio um aprendizado.

 

Qual é a sua identidade com Piracicaba?

Eu me apaixonei por Piracicaba desde a primeira vista, por isso a escolhi para morar e exercer minha profissão. Minha família não é daqui e não tenho nenhum parente na cidade, mas coleciono muitos amigos que fiz ao longo dos anos. Meu filho ama Piracicaba, cidade de pessoas acolhedoras, simples, amigas e que possui uma excelente qualidade de vida. Atualmente, já me sinto piracicabana de coração e não pretendo me mudar para outra cidade. Identifico-me com o hino de Piracicaba, no trecho que cita: “Piracicaba que eu adoro tanto, cheia de flores, cheia de encantos”…

 Qual é a sua relação com sua equipe de trabalho? Qual a sua mensagem para eles?

Não tenho palavras para expressar minha gratidão. Sempre trabalhei com pessoas competentes e compromissadas, mas minhas equipes da Comunicação Social e da Escola de Soldados superaram todas as expectativas: são extraordinárias. Tenho plena consciência que o sucesso de todas as missões a mim confiadas devo às minhas equipes, que não medem esforços para fazer todo o necessário. Fazendo uma analogia, é como se fizéssemos parte de um só corpo, em que cada órgão tem sua função específica, mas todos trabalham para seu bom funcionamento. Desta forma, nada conseguiria fazer sem essa equipe de incansáveis profissionais, nutrindo muito orgulho e gratidão por tê-los ao meu lado. Constantemente oriento-os para que sejam os melhores profissionais que puderem, não em busca de reconhecimento, mas pelo êxito da missão a nós confiada e a sensação do dever cumprido.

 

Quais os conselhos que a Sra deixa para os jovens que têm o sonho em ser PM?

Nunca desistam dos seus sonhos!

Não deixem que lhes digam que você não é capaz, que algo é muito difícil ou impossível. Você pode superar seus próprios limites, bastando que acredite e aja! Eu já ouvi muitas coisas negativas, mas escolhi não aceitar absorvê-las e acreditei que poderia fazer sempre mais e melhor, apesar das circunstâncias contrárias. Você é a única pessoa capaz de limitar seus sonhos! Siga seu objetivo, faça o que for preciso, estude, treine e, certamente, colherá os resultados das suas escolhas. Não espere resultados diferentes fazendo sempre as mesmas coisas. Você deve se dedicar e ser vocacionado para ser um dos próximos Policiais Militares, pois a farda é um orgulho para quem a ostenta!

Cristiani Azanha
crisazanha@jpjornal.com.br