Tensão e medo dominam linhas do transporte coletivo

Os motoristas que atuam no transporte coletivo de Piracicaba denunciaram ontem a tensão que domina os responsáveis pela operação nas linhas 126 (Bosques do Lenheiro) e 124 (Jardim Gilda). Embarques sem pagamento, ameaças e até agressões levaram o sindicato que representa a categoria a convocar para hoje uma paralisação do serviço na região. O movimento acabou adiado após uma reunião com a prefeitura, que prometeu reforçar a atuação da Guarda Civil Municipal.
 
Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Urbano, João Soares, os profissionais relatam, há meses, a pressão psicológica de trabalhar nos dois bairros. No último dia 3, um deles foi agredido com um soco, após reclamar de um passageiro se recusou a pagar a tarifa. Ontem, uma passageira ficou ferida após um homem que foi obrigado a descer do ônibus por não pagar a passagem atirar uma pedra no veículo. “São ofensas constantes, ameaças verbais. O motorista que foi agredido está afastado das funções e muito abalado. Ninguém mais quer fazer aquelas linhas.”
 
A 126 opera com três ônibus e transporta 61 mil passageiros por mês. Já a 124 opera com seis veículos, sendo três Expressos, com passagem pelo Bosques do Lenheiro e transporta 54 mil pessoas a cada 30 dias.
 
Após o anúncio de que o serviço seria interrompido, o secretário de Trânsito e Transportes, Jorge Akira, se reuniu com a entidade sindical e representantes da Via Ágil — concessionária do transporte urbano de Piracicaba — e obteve a garantia de operação normal nesta quarta-feira. “O combinado é que a guarda vai reforçar o policiamento lá e, no final da tarde, vamos fazer outra reunião para avaliar como foi o dia”, completou Soares.
 
Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, há seis meses não eram registrados incidentes nessas linhas “apenas ocorrências de jovens que entram nos coletivos e não pagam a passagem”. A nota encaminhada ao Jornal de Piracicaba diz ainda que a Semuttran vai acompanhar diariamente a questão no sentido de acabar com a invasão nos coletivos “de quem não quer pagar a passagem”.
 
Também em nota, a Via Ágil afirmou que busca uma solução para os problemas enfrentados pelos trabalhadores, mas irá respeitar a vontade dos colaboradores e a decisão do sindicato, tendo em vista os contratempos ocorridos nos últimos dias na região. “A Via Ágil está atenta as dificuldades e já tentou de várias formas minimizar o problema. Esperamos uma solução pacífica o mais rápido possível”, afirmou.