Terapia com cavalos devolve saúde e autoestima

Contato com o cavalo desenvolve o afeto e estimula a sensibilidade tática (Foto: Arquivo/JP) Contato com o cavalo desenvolve o afeto e estimula a sensibilidade tática (Foto: Arquivo/JP)

Os cavalos sempre foram grandes amigos e auxiliares dos humanos ao longo da história, sejam como transporte, na agricultura ou mesmo nas guerras. Hoje, os equinos continuam sendo grandes colaboradores dos seres humanos, auxiliando inclusive no tratamento de doenças e na melhora da qualidade de vida de pessoas com deficiência, por intermédio da prática conhecida como equoterapia.

Anderson Rezende, diretor do Instituto Cavalgar e fisioterapeuta especialista nesse tipo de terapia, afirma que o tratamento é uma abordagem que une as áreas da saúde, educação e esporte, com o objetivo de alcançar o desenvolvimento físico, psíquico e social de pessoas com deficiência. A equoterapia é indicada para todas as idades, com a ressalva de que crianças com menos de três anos devem ter uma liberação médica especial.

Segundo ele, os benefícios para os praticantes são inúmeros. “Os principais benefícios da equoterapia são o desenvolvimento do afeto, devido ao contato com os cavalos; a estimulação da sensibilidade tática, visual e auditiva, principalmente por conta do ambiente, que é em meio à natureza; além da melhora da postura, equilíbrio e fortalecimento do tronco”, explica. “Outra vantagem importante é a melhora da autoestima dos praticantes, muitas vezes prejudicada pela deficiência”.

HISTÓRIA REAL

Thiago Scanholatto, 21, é um dos beneficiados pela prática da equoterapia. Ele nasceu prematuro e sofreu complicações no parto, com a falta de oxigênio na parte esquerda do cérebro, o que gerou paralisia dessa região do corpo, afetando os membros e a habilidade motora de Thiago.

Ele conta que começou a participar da equoterapia aos quatro anos, por recomendação de seu neurologista. Ao total, foram 11 anos de terapia, nas quais ele garante que sua qualidade de vida melhorou muito. “O cavalo é muito importante para ajudar quem não tem muita desenvoltura motora, assim como eu, e a equoterapia também me auxiliou bastante na questão do equilíbrio, quando passei por uma cirurgia e tive que reaprender a andar com o apoio do andador”, relembra. Hoje, Thiago utiliza o andador com habilidade e surpreende pela capacidade de equilíbrio e agilidade no caminhar.

A terapia com cavalos ainda estimula o bom funcionamento dos órgãos internos, ajuda a superar fobias como a de altura e a de animais, estimula a afetividade, promove a sensação de bem-estar; ensina a importância da disciplina e segurança, do convívio com o outro e da atividade esportiva.

ANIMAIS COM PROFISSÃO

Atualmente, o Instituto Cavalga r conta com sete equinos: Pajé, Lindinha, Wood, Shitara, Topázio, Pingo e Branquinho, que se revezam para atender os pacientes – sem deixar de aproveitar a atenção e o carinho que recebem dos visitantes o dia todo.

Uma grande preocupação do Instituto Cavalgar, segundo Gisele Rezende, administradora do local, é o cuidado com os cavalos que, diferente da maioria dos animais, exercem uma profissão. “Os cavalos são acompanhados por uma veterinária e realizam exames periódicos, além de receber todos os suplementos e medicamentos necessários”, garante ela. “Os atestados de saúde dos animais são mensais, e todos os cuidados são estipulados pela veterinária, desde quantidade de banhos recomendada, até a ingestão de vitaminas e a quantia de alimentos que deve ser oferecida”.

Mariana Requena