Testemunha muda depoimento após contato com ex-diretor da Dersa, diz procurador

Ao pedir a manutenção da prisão preventiva do ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, apontado como operador do PSDB, o Ministério Público Federal de São Paulo ressaltou que, após contato com ele, uma testemunha mudou seu depoimento no âmbito das investigações.

Acusado de desvios na empresa de capital misto, Souza é suspeito de coagir uma mulher acusada no processo que investiga desvio de recursos de R$ 7,7 milhões da Dersa, entre 2009 e 2011 (governos Serra e Alckmin). De acordo com o Ministério Público Federal em São Paulo, ao menos três ameaças foram recebidas por ela e sua irmã nos últimos dois anos.

Durante audiência de custódia, a defesa dele suplicou para que seja revogada a prisão preventiva. A juíza Maria Isabel do Prado não atendeu, acolhendo pedido dos procuradores Ana Cristina Bandeira Lins, André Lopes Lasmar e Anamara Osório Silva.

“É de se ver, excelência, que a colaboradora continua sob risco, pois entregou o esquema denunciado, um esquema que durou anos e era praticado com escancaramento que só é crível para quem acredita fielmente na impunidade, tanto é assim, que de mês a mês, a colaboradora muda de residência para não sofrer, e a cada momento em que algo sobre os fatos sai na imprensa – pois, como diz o próprio acusado Paulo, “ele se tornou uma figura de influência” – ela, colaboradora, sofre uma ameaça”, anotou o MPF.

Os procuradores ainda ressaltaram que existe nos autos registro de que a testemunha Priscila mudou sua narrativa, quando ouvida no Ministério Público Estadual e depois, no MPF e na Polícia Federal, assim que passou a ter contato com Paulo e com sua defesa. Ademais, excelência, Paulo Vieira de Souza fez questão de aqui demonstrar neste ato que é uma figura de poder, exerceu o poder e ainda tem poder econômico e político.

“E como o próprio disse a esse juízo no dia de hoje: “De engenheiro, foi para o Palácio””, concluíram.

Vieira de Souza também teve bloqueados R$ 113 milhões em quatro contas na Suíça pela juíza federal Maria Isabel do Prado.”Constam das informações que em 7 de junho de 2016 as quatro contas bancárias atingiam o saldo conjunto de cerca de 35 milhões de francos suíços, equivalente a 113 milhões de reais, convertidos na cotação atual”, diz o despacho da magistrada.