Todo o chá é uma infusão, mas nem toda a infusão é um chá

Preparado com uso de folhas, flores e até raízes os chás, além de deliciosos trazem inúmeros benefícios à saúde. (Foto: Cristiani Azanha/JP)

O costume de tomar chá é antigo e vem bem antes das nossas avós. Uma das lendas de sua origem vem da China, por meio do imperador chinês Shen Nung, em 2.737 a.C, que criou o costume de ferver algumas folhas de uma árvore próxima, depois que elas caíram na panela. Quem nunca nunca tomou um chá de camomila, erva cidreira, maçã ou maracujá? O que talvez você não saiba é que, na verdade, todo o chá é uma infusão, mas nem toda a infusão é um chá. Complicado? Nem tanto. Os especialistas esclarecem que somente podemos chamar de chá, aqueles que são extraídos da planta ‘Camellia sinensis’: chá branco, chá verde, chá amarelo, chá vermelho, chá preto, oolong, matcha e banchá, todos são extraídos da mesma erva, todo o resto é infusão.

Quem explica é a especialista em ervas aromáticas Heloísa Zorovich, que trocou sua profissão de arquiteta para ficar mais perto das plantas. Ela administra o Sítio Quintal Herbanário, especializado no cultivo de ervas para infusões e temperos, ambos em sistema orgânico, em Santo Antonio do Pinhal, na Serra da Mantiqueira, distante apenas 20 quilômetros de Campos do Jordão.

“A primeira horta que criei no sítio foi a mandala, como eu a chamo. Comecei com a menta e depois fui trazendo as demais. Nossa colheita é manual, a gente tem que fazer um pouco da ‘cura da planta’. Vai para um desidratador, depois fracionamento, até chegar ao ’blend’ para a venda”, disse a especialista.

Independente de ser uma infusão ou um chá, seu preparo é praticamente um ritual. Se engana quem pensa que basta pegar um saquinho e colocar na água quente. Heloísa explica que é importante enfatizar o tempo de infusão e a quantidade de ervas que se usa. “Para chás mais delicados e infusões florais, você faz em uma temperatura mais baixa. A água deve estar em 80ºC, já os mais complexos, que têm mais taninos, precisam ser feitos em temperaturas mais quentes. O chá preto, por exemplo, você ferve a água, desliga e já faz a infusão. Mas é importante, também, respeitar o tempo de infusão. Se ficar mais de três minutos em contato com a água, vai oxidar”, orientou a especialista.

Outra dica é a quantidade de ervas que se deve colocar. Uma infusão herbal ou floral artesanal, geralmente se usa de 2 a 2,5 gramas, por xícara de 180 a 200 ml. Geralmente, a orientação é que a medida seja feita com uma colher de sobremesa e não de chá, pois como as folhas são irregulares, nem sempre será possível pegar todos os tipos na medida menor.

Segundo ela, o ideal é bom usar bules ou louças brancas, que permitem observar a cor que a infusão que está tomando.

NACIONAL

Dizem que as melhores infusões ou chás são importadas, mas será que é verdade? Imagine a oportunidade de conhecer de perto como cada plantinha é cultivada sem agrotóxicos e, ainda, ter a oportunidade de uma vista espetacular. O herbanário também faz parte do Roteiro Moringa-Mantiqueira, que traz os clientes em expedições para conhecerem de perto os produtores locais.

Heloísa afirma que se sente realizada em sua nova proposta de vida, pois apesar do trabalho, que não é fácil e exige muita dedicação, tem a oportunidade de ficar mais perto dos filhos e proporcioná-los um contato mais próximo com a natureza.

A convite do Roteiro Moringa Mantiqueira e Travel for Life (www.travelforlife.com. br), o Jornal de Piracicaba conheceu o herbário de Santo Antonio do Pinhal.

Cristiani Azanha
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