Tom Zé faz bate-papo e show no Sesc

O compositor, cantor e arranjador baiano Antônio José Santana Martins, o Tom Zé, desembarca em Piracicaba hoje para um bate-papo gratuito na comedoria do Sesc, às 18h, sobre o movimento cultural Tropicália e a transposição das referências desta corrente para a atual produção musical dele. Amanhã, o artista faz show no ginásio da unidade, às 20h, com repertório de hits da carreira e composições do disco Canções Eróticas de Ninar, lançado em 2016. As atividades integram o projeto Caldo — Tradições Contemporâneas, que consiste em uma série de ações — que começou na instituição mês passado e vai até maio — para valorização da cultura popular e das relações dela com a arte contemporânea.
 
 
Surgido no Brasil no final da década de 1960, o Tropicalismo foi um movimento musical que subverteu padrões da época ao introduzir a guitarra elétrica, composições com letras críticas e mesclá-las com diversos elementos da cultura popular brasileira, influenciando, inclusive, as artes plásticas, cinema, poesia e teatro. Tom Zé foi um dos principais representantes da Tropicália, ao lado de músicos como Caetano Veloso e Gal Gosta.
 
 
“Quem ouve falar em Tropicalismo há décadas, também ouve sobre samba e samba-canção. O tropicalismo se inseriu, como tais ritmos, na cultura musical brasileira. Há cinco décadas o sangue tropicalista corre nas veias culturais do país. O Tropicalismo facultou uma capacidade de assimilação que se reflete no que faz a maioria dos artistas, principalmente os novos. Deu passaporte aos ritmos. Tem e teve força, naturalizou cidadania”, falou Tom Zé em entrevista ao Jornal de Piracicaba.
 
 
 
SHOW — Além de faixas do CD Canções Eróticas de Ninar — eleito o melhor disco na categoria pop/rock/reggae/hip-hop/funk no 28º Prêmio da Música Brasileira, em 2017, e que tem a música Descaração Familiar, também premiada na ocasião, como a melhor canção —, Tom Zé canta amanhã alguns sucessos da carreira de quase 60 anos. “Recebi, desta vez, muitas solicitações pedindo as músicas Augusta, Angélica e Consolação, Made in Brasil e 2001. Eu, catavento que se move ao sabor da sensibilidade da plateia, cantarei também essas canções amadas, mas especificações fechadas não são meu forte. Meu forte é a sensibilidade da plateia”, comentou. Ele sobe ao palco acompanhado de Daniel Maia, produtor, guitarrista, arranjador; Jarbas Mariz, bandolinista, violonista, percussionista; Cristina Carneiro, tecladista; Felipe Alves, baixista, e Rogério Bastos, baterista.
 
 
“No disco que dá origem ao show estão assuntos de sexo como eram tratados na minha infância e juventude. Melhor dizendo: não eram tratados. O fato é que só agora, aos 80 anos, encontrei forças para mergulhar na questão, embora ela seja sempre presente. Fiz as canções num estilo bem popular, com uma percussão muito intensa, como de música para dançar. É claro que o humor está presente, porque quem fala de sexo sem humor está doente. Espero que seja um fecundo encontro musical, uma interação de sensibilidades. Conheço Piracicaba há tempo, sempre foi um público bom e atento. Quero matar a saudade da cidade”, finalizou.
 
 
SERVIÇO — Bate-papo com Tom Zé. Hoje, às 18h. Entrada gratuita. Show do Tom Zé. Amanhã, às 20h. Venda de ingressos on-line em www.sescsp.org.br. Preço: R$ 9 (credencial plena), R$ 15 (meia-entrada) e R$ 30 (inteira). Atividades acontecem no Sesc (rua Ipiranga, 155, Centro). Informações: (19) 3437-9240.