JP 119 anos: tradição e modernidade

Entre a leitura do impresso ou em aplicativos, leitores mantêm-se fiéis ao Jornal de Piracicaba. (foto: Claudinho Coradini/JP)

Chegar aos 119 anos em um momento de crise na imprensa escrita não é para qualquer um. A chegada das tecnologias no final do século 20 mudou a linguagem das notícias, e o uso de aparelhos cada vez mais práticos facilitou a leitura de jornais e revistas em qualquer lugar. Quando os portais de notícias surgiram muitos vaticinaram o fim dos jornais impressos. Afinal, com a chegada do novo milênio, a leitura seria toda feita em aparelhos ultra modernos, e não em papéis obsoletos.

Porém, quem apostou nisso errou. E uma prova disso são os 119 anos do Jornal de Piracicaba, completados nesse domingo. É claro que, para manter e conquistar novos leitores, foi importante se adaptar aos novos tempos. Em 1999, há 20 anos, o JP, sempre alinhado às inovações, passou a ser oferecido aos leitores também na internet. Assim, o piracicabano pode saber tudo que acontece no mundo com apenas um clique, esteja ele onde estiver. Nunca foi tão fácil estar atualizado.

Apesar dessa facilidade, alguns leitores ainda preferem sentir o papel do jornal em mãos. Um deles é o médico oftalmologista Legardeth Consolmagno, de 95 anos. Leitor do Jornal de Piracicaba há quase 80 anos, ele acha que não se acostumaria à leitura digital. “Eu tenho a leitura em papel como um hábito, fico à vontade para me mover de um lugar para o outro com o jornal.”.
Para Legardeth, o Jornal é vital para a cidade, um informativo no qual confia. “Tem uma história muito interessante de quando eu fui cursar a faculdade em Curitiba, no Paraná. Meu pai, semanalmente, colecionava as edições do JP e me enviava por correio. Eu e outros rapazes de Piracicaba que estudavam comigo líamos e nos mantínhamos informados sobre a cidade.”
Por ter no Jornal de Piracicaba sua fonte de informação diária, o médico preocupa-se com seu futuro. “Tenho medo de que, um dia, o jornal impresso deixe de existir. Desejo que o JP perdure por muitos outros anos.”

A dona de casa Vera Lúcia Maluf Chain, de 74 anos, também se mantém fiel ao impresso. “Sou assinante há uns 55 anos do JP. Leio praticamente tudo, só não me interesso pela parte de esportes. Não gosto de computador, gosto de me sentar após o almoço e ler o jornal com calma, gosto de sentir o papel. E se o jornal parar de ser impresso um dia, eu paro de assinar”, afirma.
Leitora do Jornal de Piracicaba desde 1960, quando ainda era adolescente e morava com os pais, a dona de casa Sonia de Marchi Coral, 73 anos, manteve o hábito quando se casou, em 1964. “A tradição passou também para meus filhos. Eu sou das antigas, gosto de ver as fotos no papel, e leio o jornal todo dia ‘de cabo a rabo’. Depois do café da manhã eu sento para minha leitura, e nos finais de semana, quando vou ao sítio, também levo meu jornal. Até a página de esportes eu leio um pouco, principalmente quando tem notícias do meu time, o São Paulo. Gosto muito também dos articulistas”, detalha.

O delegado Fábio Rizzo de Toledo, que responde pelo 5o Distrito Policial, no Santa Teresinha, recebe o jornal impresso em seu trabalho, mas em maio deste ano decidiu assinar o JP para não perder a oportunidade de ficar por dentro das notícias nos finais de semana e no conforto de seu lar. “Eu acho que o Jornal de Piracicaba é uma importante ferramenta para a democracia e para a informação mesmo tendo outros tipos como a internet. Ainda prefiro ter acesso as notícias pelos jornais e revistas. Entendo que mesmo diante de outras tecnologias de informação, o Jornal de Piracicaba ainda se manteve forte. Gosto do JP, pois me traz informações de Piracicaba, do Brasil e do mundo. Com assuntos diversos como atualidades, política, e esportes. Parabenizo o Jornal de Piracicaba que resistiu mesmo diante de momentos difíceis que o país enfrentou”, afirma.

FACILIDADE

Para o engenheiro civil Adilson Santin, de 67 anos, que há cerca de três décadas assina o Jornal de Piracicaba, a decisão de mudar para a versão digital há cerca de três anos foi de ordem prática. “É uma facilidade, não fica mais acumulando papel em casa. Levanto cedo e, antes mesmo do café da manhã, ligo o computador e acesso o jornal. Mantenho a mesma rotina no final de semana. Gosto dos textos que hoje são mais curtos e das fotos. Leio o jornal todo, mas minha parte favorita é a página de esportes.”

Já o assinante digital Moacyr Brunelly, 85 anos, optou pela mudança porque agora mora distante de Piracicaba, em Santos, e pode acessar o jornal onde estiver. “Meu pai sempre assinou o JP físico, desde que me conheço por gente e, agora, continuo a assinar. Ele sempre traz as notícias e novidades de Piracicaba e região, que eu não ficaria sabendo aqui, distante. O JP é um dos únicos jornais antigos em funcionamento no Brasil e é importante para a história da cidade”, finaliza.

 

Andrea Mesquita
Especial para o JP