Tradicional desfile da Sapucaia é cancelado, depois de 22 anos

O evento que abriria a programação carnavalesca de Piracicaba não vai mais acontecer. A tradicional descida dos blocos da Sapucaia foi cancelada ontem. Segundo os organizadores, a decisão foi tomada em função da exigência de documentações por parte da prefeitura, entre elas, um auto de vistoria do Corpo de Bombeiros.
 
O anúncio foi feito em uma conturbada coletiva de imprensa realizada na sede da Asas (Associação de Amigos dos Moradores da Sapucaia). Enquanto os responsáveis pela organização infomavam o cancelamento da festa, um capitão da Polícia Militar chegou ao local e começou a contrapor a versão apresentada pelo presidente da Asas. Houve um princípio de desentendimento entre os dois, que elevaram o tom de voz.
 
Na versão dos organizadores, tratativas com a prefeitura vinham sendo feitas desde outubro para viabilizar o evento. Eles informaram que chegaram a elaborar um auto de vistoria exigido para a sede da associação, porém, um novo auto foi exigido para o evento, 48 horas antes da sua realização, o que inviabilizou a celebração.
 
“Eu amo a Sapucaia, mas nessas condições nós não temos o que fazer. Pra mim é muito triste quebrar essa tradição, mas tentamos até o último dia”, lamentou o presidente da Asas, Renato Freitas Sampaio. A tradicional descida pela rua Moraes Barros não deve mais acontecer, informou. “Vamos focar em outros tipos de ações, mas nessas condições não vamos mais promover o carnaval da Sapucaia”, afirmou Sampaio. O prejuízo com a não realização do evento deve ultrapassar R$ 15 mil.
 
O capitão da PM José Antonio Golini Júnior explicou que a corporação depende da apresentação de documentos para permitir a celebração. “Como não há deliberação do Poder Público para a realização do evento, não existe aval para que ele aconteça. Estive presente nas reuniões e a prefeitura informou o que era exigido, porém as exigências não foram cumpridas”, afirmou o capitão.
 
Golini também disse que haverá reforço policial para garantir que as ruas que costumam receber os blocos não sejam bloqueadas. “Vamos fazer um policiamento na região para assegurar o direito das pessoas que vivem ali e para não prejudicar a circulação de veículos e o movimento dos comércios”, garantiu o oficial.
 
Em nota, a prefeitura informou que vinha alertando os organizadores desde meados de dezembro sobre a necessidade de se adequar à uma Lei Federal em vigor desde 1º de outubro — batizada como ‘Lei Kiss’ — que estabeleceu novas diretrizes para a realização de eventos.