Trânsito à beira de um colapso e transporte coletivo em agonia

carros Quantidade de veículos em circulação cresce anualmente. (Foto: Amanda Vieira /JP)

Em um ano, Piracicaba recebeu cerca de 7 mil novos veículos de todos os tipos para transitarem pelas ruas da cidade. Até março de 2018, o município contabilizava 307 mil veículos em circulação, entre carros, motocicletas, utilitários, caminhões e ônibus. Isso sem contar os motoristas que vivem em outras cidades, mas que trabalham em Piracicaba e engrossam a frota, principalmente nos horários de pico.

Levantamento feito pelo Observatório Cidadão de Piracicaba, considerou dados do Detran-SP (Departamento de Trânsito de São Paulo) e informações divulgadas pela prefeitura para compor esses números. Na análise desses dados o arquiteto e urbanista Moacyr Corsi Júnior, salientou sobre a necessidade de diminuir o número de carros em Piracicaba.

“A estrutura construída no município é limitada. E baseado no conceito urbanístico, ao aumentar o número de veículos, as artérias param e cidade tem um infarto”, disse o arquiteto ao usar uma metáfora para diagnosticar a necessidade de se rever políticas de mobilidade. Para ele é necessário um estímulo maior por parte do poder público ao uso do transporte coletivo e de bicicletas.

TRANSPORTE COLETIVO – Dados do observatório revelam queda de quase 8,5% no número de coletivos operantes na cidade nos últimos cinco anos. Nesse mesmo período também houve redução do número de passageiros que utilizam o transporte coletivo. Foram 2,3 milhões em 2017, uma queda frente aos 2,8 milhões registrados em 2012.

O levantamento apontou diminuição do número de ônibus operantes em Piracicaba em cinco anos. Eram 257 ônibus em circulação em 2012, e 238 ônibus operantes em 2018.

Segundo o secretário de Trânsito e Transportes, Jorge Akira, essa é uma realidade que atinge não apenas Piracicaba, mas municípios de todo país. “Contabilizamos anualmente uma redução gradativa de passageiros do transporte coletivo, e a diminuição de algumas linhas se deu por conta da baixa demanda. Nos locais onde detectamos a baixa de passageiros fizemos uma readequação de horários”, explicou.

Para o arquiteto Corsi Júnior, a diminuição da frota precisa ser avaliada. “Se houve consolidação de linhas para readequação é uma coisa. O que deve ser analisado, entretanto, é a cobertura do sistema”, avaliou o especialista ao salientar que é preciso implantar melhorias, não basta fazer corredor. “Se a cidade oferece ônibus de qualidade, equipado com rede wi-fi, ar-condicionado, as pessoas serão estimuladas a usarem o ônibus”, ressalta.

MAIS LINHAS – Jorge Akira disse que a partir da semana que vem haverá três reforços, sendo dois para Novo Horizonte e um para o Boa Esperança. Outras três linhas devem entrar em operação ainda neste semestre. Elas farão o trajeto para a região do conjunto habitacional Vida Nova, na região de Santa Teresinha. A unidade de projeto habitacional popular com 1.200 unidades deve ser entregue em breve, de acordo com Akira. Outras duas linhas devem entrar em operação para atender o itinerário da Vila Sônia-Centro.

Segundo Akira, dados da ANTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos) revelam que 10% das empresas de transporte público faliram nos últimos anos. Em Piracicaba, o município repassa por mês R$ 497 mil à Via Ágil, empresa concessionária do transporte público.

(Fernanda Moraes)