Transtorno de Déficit de Atenção: não é só preguiça de criança

Desatenção e dificuldade para finalizar tarefas podem indicar um quadro de TDAH; Conheça os sintomas. (Foto: Freepik)

Falta de atenção na escola, cabeça no ‘mundo da Lua’ e dificuldade para finalizar tarefas. Esses sintomas podem estar muito além de uma simples preguiça infantil e, na verdade, revelar um quadro que merece atenção: o TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade).

Dados da OMS (Organização Mundial de Saúde) apontam que cerca de 4% da população adulta mundial têm o transtorno. Só no Brasil, a estimativa é que o TDAH atinge 2 milhões de pessoas adultas e afeta 6% das crianças, além de 69% dos jovens.

De acordo com Mario Louzã, médico psiquiatra e Membro Filiado do Instituto de Psicanálise da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, as causas do TDAH ainda são desconhecidas, mas acredita-se que seja resultado de uma alteração do neurodesenvolvimento.

“Seu diagnóstico é feito por meio de uma avaliação clínica bem minuciosa com um profissional médico habilitado para que não haja dúvidas sobre o diagnóstico”, explica o médico. “Se não houver dúvidas, o tratamento do TDAH pode envolver abordagens psicológica, psicopedagógica e medicamentosa”.

Apesar de descrito pela primeira vez na literatura médica há mais de cem anos (em 1902, por um pediatra inglês) ainda hoje encontra-se dificuldade para se diagnosticar e tratar a doença. Para facilitar nesse processo, nas últimas décadas o TDAH foi incluído na classificação internacional de doenças da OMS e no manual de diagnóstico da associação psiquiátrica americana, ambos contendo critérios detalhados para identificação do transtorno.

Louzã aponta alguns dos sintomas mais comuns do TDAH, descritos pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais:

1.) Frequentemente, a pessoa não presta atenção em detalhes ou comete erros por descuido em tarefas escolares ou no trabalho;

2.) Dificuldade de manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas, como conversas ou leituras prolongadas;

3.) Parece não escutar quando alguém lhe dirige a palavra diretamente, como se estivesse com a cabeça longe de forma frequente;

4.) Costuma começar as tarefas, mas rapidamente perde o foco e o rumo;

5.) Evita, não gosta ou reluta em se envolver em tarefas que exijam esforço mental prolongado, como trabalhos escolares ou o preenchimento de formulários;

6.) Sempre perde coisas necessárias para tarefas ou atividades e é esquecido em relação a atividades cotidianas.

Caso exista um ou a combinação de vários desses sintomas, é interessante procurar um médico para que uma avaliação de TDAH possa ser realizada com rigor. “Estes sintomas devem estar presentes o tempo todo, em qualquer ambiente, e precisam causar algum tipo de prejuízo funcional à pessoa, como baixo rendimento escolar ou no trabalho”, ressalta Louzã. “Este cuidado irá evitar generalizações indesejáveis e medicações desnecessárias, principalmente nas crianças”.

Mariana Requena
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