Transtornos psiquiátricos no período gestacional

O período de gestação na vida de uma mulher gera muitas mudanças psíquicas, físicas e sociais, que promovem expectativas, fantasias e idealizações. A mulher vive nesse momento da sua vida muitas incertezas, medos, responsabilidades e alterações hormonais, assim esse período pode favorecer o surgimento e agravamento de quadros psiquiátricos, principalmente as questões relacionadas à ansiedade aumentada e tristeza intensificada.

Portanto, nesse período muitas mulheres apresentam tristeza e ansiedade ao invés de alegria e bem estar, e é necessária atenção nessa fase porque os limites entre o fisiológico e patológico podem ser muito estreitos, ficando oculto em alguns casos para os profissionais da saúde, e quando não tratados adequadamente podem apresentar um comprometimento ou recaídas em fases posteriores. Estatísticas apontam que entre 10 a 15% das gestantes que passam por dificuldades não tratadas adequadamente no decorrer da sua vida, podem apresentar recaídas. Os dados são da Comissão de Estudos e Pesquisas da Saúde Mental da Mulher da Associação Brasileira de Psiquiatria.

Quando diagnosticado no decorrer da gestação um quadro psiquiátrico, uma equipe multifacetada de especialistas precisa estar preparada para decidir sobre os riscos em tratar ou não tratar o transtorno em questão. Cada caso deve ser pensado exclusivamente, pois há gestantes mais sensíveis a variações hormonais, em contraponto existem aquelas mulheres com fatores estressores significativos durante a gravidez como: relacionamento conjugal instável, baixo suporte familiar e social, condições econômicas menos favorecidas, histórico de abuso físico e psíquico, sexual, de uso de drogas e álcool, ainda com antecedentes de abortos espontâneos, quadros de depressão reincidentes, que promovem um quadro de transtorno mental no decorrer da gravidez.

É comum tanto em consultórios de médicos quanto em psicólogos, mulheres com quadro de depressão recorrente, que realizam uso medicamentoso controlado abordar seu desejo por uma gestação. Nesse caso é necessário pensar cautelosamente sobre os riscos de manter o tratamento medicamentoso caso engravidem. Pesquisas recentes apontam que 77% das grávidas que interrompem o tratamento psiquiátrico sobre supervisão médica, são desaconselhadas pelo próprio obstetra que acompanha o caso.

Os transtornos ansiosos que surgem na infância e na adolescência têm maior incidência na idade fértil e podem apresentar menor intensidade na gestação. A síndrome do pânico, o transtorno obsessivo compulsivo e o transtorno de estresse pós-traumático podem ter inicio na gestação e exacerbar no pós-parto, sendo fatores de risco para depressão pós-parto. Já o estresse na gestação pode ser desencadeado por episódios de luto, eventos catastróficos e aborrecimentos diários.

A depressão é outra preocupação, e os sintomas variam com as flutuações dos hormônios, por isso a história de vida reprodutiva da paciente deve ser investigada. As mulheres em tratamento de depressão devem planejar a gravidez, discutindo a ideia com a equipe de profissionais da saúde que a acompanham.

Vale ressaltar que saúde psíquica afeta diretamente à saúde do nosso corpo e vice versa. Então, quando uma não esta bem pode interferir na outra. Sabemos que hoje as emoções provocam impactos desastrosos no corpo. A psicoterapia pode contribuir para que o indivíduo trabalhe o conteúdo que gera o sintoma, para que possa estabelecer a cura por meio do autoconhecimento e, consequentemente, os sintomas desaparecerem.