Tristeza ou depressão?

Francisco Ometto Júnior

Setembro amarelo, estatísticas sombrias. A cada quarenta segundos (isso mesmo, quarenta segundos!) alguém se mata e isso precisa nos incomodar mais! Por outro lado, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão será a segunda maior preocupação em termos de saúde pública no Planeta. Outro dado alarmante é o aumento de casos de depressão em adolescentes. Sim, depressão, uma das maiores causas de suicídio, que, por sua vez, é o último grito de socorro, o último capítulo de uma novela que não começou ali. O paradoxal e mortal desespero em acabar com a dor, não com a vida.

Muitos confundem tristeza com depressão. Tristeza ocorre após algo ruim que acontece, entretanto, ela não dura muito (em média duas semanas) e você consegue reagir, ou seja, ela não “permanece” em você. A depressão, por sua vez, vem de uma tristeza mais profunda, que “permanece”. Isto faz com que a pessoa não consiga reagir e sair da situação. Na maioria dos casos, o depressivo nem sabe o motivo que está desencadeando seu estado.

São vários os graus que medem a depressão, indo do mais leve ao mais complexo, com várias características peculiares a cada um, mas vale lembrar que ela tem cura. A depressão afeta 322 milhões de pessoas no mundo, segundo dados divulgados pela OMS, portanto, certamente você conhece ou já ouvir falar de alguém que tem depressão, ou acha que tem. Ainda segundo a OMS, o Brasil é o país com maior prevalência de ansiedade no mundo: 9,3%.

São vários os tipos de sintomas, que podem até se confundir com outras doenças, portanto, é imprescindível o acompanhamento e a avaliação de um profissional habilitado, para que se chegue ao diagnóstico correto, de preferência no início dos sintomas, para que a pessoa não chegue ao suicídio. Existem muitas causas para a depressão e para o suicídio, como baixa autoestima, traumas de infância ou atuais, hereditariedade, alcoolismo, drogas, problemas de aceitação, dificuldades de relacionamento, bipolaridade, envolvimento em situações difíceis ou doenças graves, reação aos acontecimentos negativos, crenças, perdas, frustrações, mágoas, além de outros sentimentos mal resolvidos.

Os transtornos mentais estão se proliferando pelo mundo. Pesquisas indicam que nos próximos anos, uma em cada duas pessoas terá algum problema emocional grave e não falar sobre isso apenas “colabora” no agravamento do cenário. Importante lembrar que problemas emocionais e o próprio suicídio não escolhem idade, classe social, religião, gênero ou qualquer outro indicador.

Desejo sinceramente que os “setembros” avancem também sobre os outros meses do ano, porque há falta de informação e excesso de preconceito. Por incrível que pareça, ainda existem pessoas que consideram depressão uma “frescura”, falta do que fazer e aí por diante. Depressão, como qualquer outro problema emocional, é coisa séria, que merece um olhar mais atento do governo, da sociedade, meu, seu. E, para isso, também, de nada resolve culpar políticos se votarmos naqueles que não são competentes ou honestos. De nada adianta responsabilizar uma determinada mídia, se continuarmos dando audiência a ela. De nada adianta criticar qualquer pessoa ou Instituição, se nós não fizermos a nossa parte. Podemos, sim, mudar estas estatísticas.
“Qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?” (Sigmund Freud).