Um mal necessário

Depois de 42 dias, finalmente o Jornal de Piracicaba obteve as estatísticas sobre a aplicação de multas por guardas municipais. Foi após muita insistência. A reportagem descobriu que os guardas começaram a fazer orientações e conscientizações aos motoristas em outubro do ano passado, mas somente começaram a autuar em novembro do ano passado. A autorização para os guardas autuarem os motoristas que infringem as normas de trânsito constava em projeto aprovado em 19 de agosto do no passado pelos vereadores, após muita discussão e polêmica. Na época, a direção da Guarda não confirmava o início da atuação dos guardas.
 
 
 
Quem confirmou as informações foi o secretário de Trânsito e Transportes, Jorge Akira. Segundo o secretário, em três meses, os guardas aplicaram 3.651 multas. O que dá uma média de 41 autuações por dia. Esse número está acima das 3.018 multas feitas por agentes de trânsito, o que dá uma média de 34 multas por dia. É bom deixar claro que o efetivo de guardas nas ruas é o dobro de agentes. Tanto é verdade que cada guarda aplicou 27 multas em 90 dias e os agentes, 50, no mesmo período.
 
 
Bom seria se não houvesse necessidade de multar os motoristas. Mas isso é uma utopia. Ainda mais em um país como o Brasil, que lidera o ranking de mortes no trânsito. O secretário garante que a intenção não é fomentar a indústria de multas na cidade, mas preservar vidas. E apresentou números que demonstram o aumento das mortes em acidentes de trânsito. Segundo ele, o número saltou de dois, em janeiro de 2017, para seis, em janeiro deste ano. E a esperança do secretário é que esse número “gigantesco” caia em fevereiro. Aguardemos.
 
 
Todos os especialistas em segurança no trânsito são unânimes em afirmar que quase 95% dos acidentes são causados por falha humana, imprudência, imperícia e comportamentos como dirigir alcoolizado e sem habilitação. E, as multas, infelizmente, são um mal necessário, para forçar o motorista a tirar o pé do acelerador. Nem vamos entrar em detalhes sobre deficiência da formação do condutor. Mas o fato é que no volante o motorista dirige igual ao personagem Pateta, da Disney, no desenho animado da Turma do Mickey. Há motoristas que se transformam ao volante. Quem anda na linha não deve se preocupar com os radares e nem com os agentes de trânsito e os guardas.