Uma Greta no fim do túnel

Há um tempo atrás eu escrevi um artigo bem negativo sobre o fim dos tempos. Um não, dois. Lá, eu discorria com toda a negatividade do mundo a respeito dos acontecimentos que poderiam (podem ou poderão) acontecer com relação à extinção da humanidade no caos geral que ela se encontra nesse mundinho de Deus. Creio que o caro leitor possa me entender. No auge dos meus 30 e poucos anos, assistindo de camarote a catástrofe que acontece na natureza deste planetinha azul, comandado por poderosos que estão se lixando com a existência da fauna e a flora e ainda mais com os seus próprios pares. Não que eu seja uma pessoa negativa, mas dá para ser positivo quando se é governado pela cafajestice do nefasto?

Amazônia queimando, mares cheios de óleo, baleias morrendo com plástico em suas entranhas. E a população se lixando, literalmente, com os acontecimentos. A mesma população que acredita jogar o lixo fora quando, na verdade, o fora é aqui, dentro do planeta em que respiram.

E no auge do meu desespero deprimente de ver a vida sendo destruída e um planeta inteiro acabando, enfim, vi uma luz no fim do túnel. Eis que estava eu bicicletando pelas ruas de Dublin, aqui na Irlanda, quando sou impedido de atravessar uma rua por uma imensa manifestação.

Curioso, parei para entender o que estava acontecendo. Eram centenas de milhares de jovens, com idade de 13 a 16 anos, marchando pelo meio ambiente. Aquela multidão que não acabava mais era de alunos que decidiram “matar aula” por uma boa causa, lutando pela preservação do meio ambiente.

Com cartazes cheios de frases e palavras de ordem para que os governos façam algo pelas florestas, pelos animais e pela humanidade, esses jovens me emocionaram de uma forma que minha visão de mundo, por um instante, pareceu-me brilhar novamente. Havia ali uma luz no fim de um túnel sombrio e asqueroso.

Mas quem estaria por trás desta ação em um momento em que as pessoas estão mais pálidas e insignificantes que uma ricota? Voltei para casa correndo para buscar mais informações e encontrei um nome e sobrenome: Greta Thunberg.

Essa garota sueca de 16 anos tomou os noticiários nas últimas semanas. Ela, sozinha, começou sua greve pessoal, deixando de ir à escola às sextas-feiras para protestar em frente ao parlamento sueco contra ações que estavam favorecendo as mudanças climáticas. Não demorou muito que ela inspirasse jovens de sua idade para fazer o mesmo. E assim, milhões de meninos e meninas de todo o mundo passaram a protestar. Em Dublin não foi diferente e chamou a minha atenção para essa geração que eu considerava perdida. Não! Eles são o futuro, de fato.

Greta foi protagonista, logo em seguida, de um dos discursos mais imponentes em uma conferência das Nações Unidas, encarando os mais poderosos líderes mundiais, dizendo repetidamente: “Como ousam?”. Em um trecho, ela acusa os governantes de pensar apenas no dinheiro, mesmo sabendo que a situação do mundo é insustentável a curto prazo.

Sua legião de seguidores jovens concorda e entende seu ponto de vista. Ou seja, temos adolescentes que hoje têm mais consciência do que está acontecendo com o planeta e em como os humanos estão usurpando todas as formas de vida para gerar mais poder e dinheiro.

Greta é um milagre, um broto de consciência em meio a uma rachadura em uma pedra de ignorância. Ela é, para mim, a última esperança de um futuro melhor. Que seja essa a juventude que vai nos ensinar como votar, como agir e como lidar com o desastre que será nosso futuro.