Uma Nova Câmara

Uma nova Câmara

Matheus Erler


Há quatro anos, quando assumia o desafio de estar à frente da Câmara de Vereadores de Piracicaba, como presidente, por mais que tivesse a ideia do quanto aquele momento era representativo, não poderia calcular quantas situações teríamos à frente e que nos dariam a oportunidade de que contribuir com a cidade de Piracicaba.

Encontramos um Legislativo com a credibilidade abalada perante a sociedade, perante os movimentos e à imprensa que, pautada por atitudes de gestões menos abertas, tinha na Casa a certeza de matérias nem sempre agradáveis de serem lidas.
As primeiras atitudes daquela Mesa Diretora de 2015 foi a retirada de anteparos de vidro que separavam os vereadores dos cidadãos que iam assistir às reuniões ordinárias. Uma decisão que simbolizava nossa vontade de ser apenas diferente, não melhor que ninguém que por ali já tinha passado e que, pelo ambiente que vivia, precisou tomar atitudes menos populares.

E esta primeira decisão inspirou tantas outras cujo objetivo era a abertura da Casa à cidade, ao exercício de ouvir e não mais apenas atuar conforme o entendimento de 23 homens e mulheres escolhidos pela cidade. Entendíamos que a sociedade queria outro tipo de comportamento, aquele que deixava claro que não se esgotava no ato da eleição o direito do cidadão em participar do Legislativo, opinar positiva ou negativamente e, principalmente, sentir-se parte da vida política da cidade.

Não era um exercício simples, mas necessário. Criar ferramentas para que os cidadãos participassem das decisões e da estrutura da Casa requereu que tivéssemos uma visão mais ampla da sociedade e de seus problemas. Naquela primeira gestão de dois anos, as lições foram de aprendizado intenso e de estruturação do que estaria por vir numa nova eleição para a direção da Casa.

Os anos de 2015 e 2016 foram de defender valores e crenças junto a um colegiado com foco e muito fôlego para buscar solucionar as centenas de demandas que chagavam a todos os gabinetes dos vereadores. E quando estas demandas chegam ali é porque todos os outros caminhos foram ineficazes. O desafio então foi garantir a estrutura necessária para a busca destas soluções, enfrentar uma cultura enraizada e que precisava sofrer um impacto condizente com a nova realidade das gestões públicas. Enfim, mudanças que nem sempre eram bem recebidas para que davam a segurança de que o caminho escolhido era o correto.

Chegamos ao final destas duas presidências da Mesa Diretora da Câmara de Piracicaba. Entre orçamento que abrimos mão e economias feitas em diárias de viagem, consumo de combustível, redução de gastos com energia elétrica, telefonia entre outras contenções, chegamos à soma de R$ 27 milhões que se mantiveram no caixa geral da prefeitura. Recurso que ajudou a pagar dívidas com hospitais que atendem no sistema SUS, que colaboraram no pagamento do 13º salário dos servidores públicos e que comporão investimentos em segurança pública.

Mas mais que isto, que a obrigação cumprida, é preciso agradecer e reconhecer o esforço e compreensão e todos que fizeram da Câmara de Piracicaba um Legislativo reconhecido nacional e internacionalmente por seus altos índices de transparência, por seu desejo de torna-se cada vez mais aberto e eficiente diante do desejo da população.

Muito obrigado!