Unicamp cria sistema que monitora cana-de-açúcar

Pesquisadores da Feagri (Faculdade de Engenharia Agrícola) da Unicamp desenvolveram um sistema que, ao ser instalado em colhedoras de cana-de-açúcar, possibilita criar mapas de produtividade e visualizar a variabilidade espacial da produção. A tecnologia, cujo foco é a Agricultura de Precisão (AP), baseia-se em células de carga e se constitui no primeiro monitor de produtividade para cultura de cana-de-açúcar lançado comercialmente no mundo. 
 
O sistema foi licenciado pela Enalta, empresa que atua no mercado de automação agrícola, e é capaz de atualizar a massa de cana colhida em tempo real, uma vez que permite a tabulação de dados a cada cinco segundos. “Os mapas de produtividade são uma fonte de informação importante para os agricultores que desejam gerenciar suas propriedades e definir zonas de manejo ou ambientes de produção”, defende o professor Paulo Graziano, responsável pelo desenvolvimento do sistema ao lado do docente Oscar Antonio Braunbeck e do então aluno de doutorado Domingos Guilherme Pelegrino Cerri.
 
Graziano conta que mapas de produtividade ainda não são amplamente utilizados no manejo da cana-de-açúcar no país. “Esta forma de gerenciamento das culturas ainda não é fortemente adotada pelos produtores de cana no Brasil, diferentemente do que ocorre na Colômbia, América Central ou Austrália”. Cléber Manzoni, diretor da Enalta, revela que a tecnologia já está sendo implementada e utilizada por usinas de cana-de-açúcar localizadas em países da América Central e do Sul, onde há uma grande demanda por mecanismos que ajudem a identificar os locais de maior produtividade. “Quase 60% dos produtores de cana-de-açúcar da Colômbia já vêm utilizando o monitor de produtividade. A agricultura de precisão em cana, lá fora, tem maior demanda do que no Brasil, pois tratam-se de lugares que não conseguem aumentar a produção por extensão de área e que, por isso, precisam de garantia da produtividade agrícola”, explica.
 
Ao contrário do cenário encontrado em outros países, no Brasil, há a tendência de aumentar a área de produção e não a produtividade em si. Por isso, para a tecnologia ganhar espaço no mercado nacional, Manzoni conta que a empresa já está programando melhorias, no sentido de torná-la mais barata e competitiva. “Produzimos quase 600 milhões de toneladas (dados referentes à safra 2016/2017), só que o nosso índice de produtividade é baixo, com uma média de, no máximo, 80 toneladas por hectare. Já em outros países, onde a produção se dá em territórios mais restritos, chega a 120 toneladas por hectare”, comenta.