Unidades da Família vão perder 25 médicos cubanos

medicos Cuba encerrou a participação no Programa Mais Médicos. ( Foto: Claudinho Coradini/JP)

A Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba informou que 25 médicos cubanos, que estão desde 2014 na cidade devem deixar as USFs (Unidades de Saúde da Família). Atualmente, toda a rede de saúde municipal conta com cerca de 320 médicos. Sobre a saída dos médicos cubanos de Piracicaba, a Secretaria Municipal de Saúde informou que aguarda diretrizes do governo federal.
Com o fim da participação de Cuba no Programa Mais Médicos, anunciada na última quarta-feira (14), após críticas e questionamentos relacionados à qualificação dos profissionais cubanos feitos pelo presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), milhões de brasileiros podem ficar sem atendimento médico. De acordo com dados do Ministério da Saúde, dos 16 mil médicos do programa, mais da metade é composta por profissionais cubanos. Atualmente, o Mais Médicos beneficia 63 milhões de pessoas, em mais de 4 mil municípios e 34 unidades de DSEI (Distrito Sanitário Especial Indígena) em todo o País.

Ontem (16), o Ministério da Saúde se reuniu com a Opas (Organização Pan-Americana de Saúde) para a definição da saída dos médicos cubanos e entrada dos profissionais brasileiros, que serão selecionados por edital. Para garantir a assistência dos brasileiros atendidos pelas equipes da saúde da família, que contam com profissionais de Cuba, o governo federal está adotando medidas como a imediata convocação, ainda em novembro, de médicos que queiram ocupar as vagas que serão deixadas pelos profissionais cubanos. De acordo com o Ministério da Saúde será respeitada a convocação prioritária dos candidatos brasileiros formados no País, seguida de brasileiros formados no exterior.

Desde 2016, o Ministério da Saúde já trabalha na diminuição de médicos cubanos no programa. Em 2016, cerca de 11.400 profissionais de Cuba trabalhavam no Mais Médicos e, atualmente, trabalham 8.332. Já o edital de seleção e chamada para inscrições deve sair nos próximos dias. Segundo o Ministério da Saúde, após a seleção dos profissionais, o comparecimento dos médicos aos município será imediato.

CONQUISTAS — Para a CNM (Confederação Nacional de Municípios), saída dos médicos cubanos é de extrema preocupação, considerando que a situação pode levar a estado de calamidade pública. A CNM diz apostar no diálogo entre as partes.

(Eliana Teixeira)