Unimep começa a reintegrar professores demitidos

Durante todo o dia de ontem, os professores demitidos pela reitoria da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba) começaram a ser reintegrados aos seus antigos postos, conforme determinação do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 15ª Região, que negou liminar da universidade que pedia o não retorno dos docentes. De acordo com o Sinpro Campinas (Sindicato dos Professores), responsável pela região de Piracicaba, dos 70 demitidos, 20 não aceitaram a reintegração por já estarem dando aulas em outras universidades ou terem iniciado outros rumos em suas carreiras profissionais.
 
Conceição Fornasari, secretária-geral do Sinpro, destacou que os professores deverão seguir processo administrativo para poderem voltar à sala de aula. “Agora é preciso a realização de exames médicos e admissionais, registro junto ao INSS e na carteira profissional. Para os docentes que já tinham aulas atribuídas para 2018 não precisarão fazer nova atribuição, já que a determinação da Justiça pede para que ele volte para as antigas funções”, apontou.
 
Para o presidente da Adunimep (Associação dos Docentes da Unimep), Milton Souto, a categoria está “muito feliz com a decisão”, já que a “Justiça entendeu que a nossa luta fundamenta legalmente em defesa da universidade”. “É uma vitória importante, mesmo sabendo que há a possibilidade de novo recurso junto ao TST (Tribunal Superior do Trabalho). Nosso objetivo, do Sinpro e da comunidade unimepiana, sempre foi deixar a Unimep maior, como ela sempre foi”, disse.
 
Demitido no final de dezembro, o professor Lorival Fante Junior, ficou mais aliviado com a decisão do TRT e com o retorno à Unimep. “Particularmente, as demissões não aconteceram de forma legal e a Justiça reconheceu isso. Eu, como ex-diretor da Faculdade de Engenharia, como membro da Adunimep e do Sinpro, vejo minha demissão como política, devido a participação em diversas ações pró-Unimep e contra a interferência da Rede Metodista na autonomia da universidade”, completou.
 
 
A DECISÃO — Divulgada anteontem, a decisão proferida pelo desembargador Francisco Giordani negou liminar à Unimep, que pedia o não retorno dos professores demitidos. No documento, Giordani afirma que “não se vislumbra razoabilidade nas justificativas da Unimep, que, em momento algum, noticiou cortes orçamentários em outras áreas, sendo certo que não restou demonstrada claramente as dificuldades econômicas alardeadas” e que a demissão em massa foi um “ato abusivo de direito, como atentatório à dignidade da pessoa humana e aos valores sociais do trabalho, livre iniciativa e à cidadania.”
 
Consultado pela reportagem do Jornal de Piracicaba, o reitor Fabio Botelho Josgrilberg disse que a Unimep ainda não possui um posicionamento se entrará com recurso no TST (Tribunal Superior do Trabalho).