USP Talks faz retrato do Brasil pré-histórico

Mastodontes, preguiças-gigantes com até 3 metros de altura e tatus com a carapaça do tamanho de uma capota de Fusca, perseguidos por tigres-dente-de-sabre. Hoje desprovido de grandes mamíferos terrestres, o Brasil já foi um país de animais gigantes, como os que ainda existem em algum número na África.

Mas o que aconteceu com eles? E com os dinossauros que existiam antes deles, em uma era ainda mais remota da pré-história brasileira? Esse será um dos assuntos do próximo evento da série USP Talks, que ocorre terça-feira, 24, no Museu de Arte de São Paulo (Masp), sobre o tema Brasil Pré-Histórico. O USP Talks é uma iniciativa de divulgação científica da Universidade de São Paulo (USP) e do Estado.

“Um milhão de anos atrás o Brasil não era muito diferente do país que conhecemos hoje em termos de paisagens e vegetação, mas era totalmente outro em termos de sua fauna de mamíferos”, diz o pesquisador Mario de Vivo, da USP, que fará uma apresentação sobre a chamada megafauna do Pleistoceno – período popularmente conhecido como Era do Gelo, que durou desde 2,5 milhões até cerca de 12 mil anos atrás.

O destino desses grandes mamíferos foi selado em última instância pela evolução do homem moderno, que caçou praticamente todos eles até a extinção – não só na América do Sul, mas em todos os continentes. A tese é reforçada por um estudo publicado na última edição da prestigiosa revista científica Science, em que cientistas americanos reconstruíram a história evolutiva dessa megafauna e verificaram que a extinção dela ao redor do mundo coincidiu temporalmente com a dispersão do Homo sapiens pelo globo a partir da África, desde 125 mil anos atrás. “Restaram, basicamente, os animais que encontramos hoje na fauna moderna”, afirma de Vivo.

Dinos

Antes desses mamíferos, quem dominava o mundo eram os dinossauros. E o Brasil também abrigou muitos deles, apesar de o número de espécies encontradas no registro fóssil do País ser pequeno – cerca de 35, de um total de mais de 700 conhecidas no mundo.

Isso não se deve necessariamente a uma menor diversidade ou quantidade de dinossauros, mas às condições ambientais do Brasil moderno (predominantemente úmido e coberto de vegetação), que são menos propícias à descoberta de fósseis, diz o pesquisador Max Langer, do Laboratório de Paleontologia da USP em Ribeirão Preto. Ele falará sobre a biodiversidade de dinossauros e outros bichos que habitavam o Brasil durante a era mesozóica, entre 245 milhões e 65 milhões de anos atrás.

“O Brasil era repleto de dinossauros”, garante Langer. “A fauna era muito variada, incluindo desde gigantes com mais de 20 metros até pequenas formas, com pouco mais de 1 metro”, descreve o pesquisador, ele próprio autor de algumas dessas descobertas.

Serviço

USP TALKS #18: BRASIL PRÉ-HISTÓRICO

Quando: terça, das 18h30 às 19h30
Onde: auditório do Masp, na Avenida Paulista, 1.578.

Para participar: entrada gratuita, por ordem de chegada. Distribuição de ingressos a partir das 16h30. Capacidade: 374 pessoas