Vacinação contra sarampo e poliomielite: uma batalha vencida

Dr. Pedro Antonio de Mello

O fato de o Brasil ter praticamente erradicado a poliomielite e o sarampo na última década fez com que a população baixasse a guarda em relação a essas doenças, deixando de se imunizar. Bastou uma disfunção política e social na América Latina, especialmente na Venezuela, onde o sarampo ainda não está erradicado, para vermos surtos alarmantes da doença em cidades brasileiras, como Amazonas e Roraima, que fazem fronteira com o país vizinho.

O processo imigratório desordenado de venezuelanos ao Brasil trouxe o vírus de volta e pegou a região norte de surpresa. O mais grave, o virus do sarampo migrou para o interior do país rapidamente e tornou muito mais complicado seu controle. No extremo oposto do país, o Rio Grande do Sul também registrou surto da doença, em menor escala, mas não menos preocupante. Além disso, temos casos confirmados no Rio de Janeiro, São Paulo, entre outros estados.

Por isso o alerta do Ministério da Saúde quando se percebeu a dificuldade dos municípios de atingir a meta estabelecida de imunizar 95% da população entre 1 e menores de 5 anos durante a campanha nacional deste ano. Foram necessários no município 4 Dias D até que a meta fosse batida. Havia o receio em Piracicaba de que, mesmo com todo empenho das equipes de saúde da rede pública mobilizada para a ação, a imunização não avançasse o índice almejado.

Foi colocada em ação, inclusive, uma força-tarefa nas escolas públicas municipais de educação infantil, com apoio da Secretaria de Educação, envolvendo mais de 80 profissionais, entre enfermeiros e auxiliares de enfermagem, para melhorarmos nossa cobertura. Isso significou um gasto de recursos humano e financeiro que acabou prejudicando as demais ações da rede no período, devido ao deslocamento desses profissionais. Ou seja, a falta de consciência da população a respeito dessas doenças causou estresse no sistema de atendimento à população em toda a Atenção Básica. Ainda sem alcançarmos a meta, o Ministério da Saúde decidiu prorrogar a vacinação por mais duas semanas.

Logo no início da prorrogação, no entanto, tivemos a notícia de que a meta havia sido alcançada. Alívio. Balanço fechado no dia 13/09 apontou índice de cobertura de 97,91% para pólio e 96,59% para sarampo, colocando Piracicaba à frente da maioria dos municípios brasileiros em desempenho, graças ao esforço coletivo. Esse cenário não precisa se repetir nas próximas campanhas. Pais e responsáveis precisam estar mais atentos à realidade. A mesma situação brasileira se deu na Europa. Como essas duas doenças tinham sido erradicadas há décadas por lá, houve também o relaxamento. Com a imigração massiva de populações fugindo de guerras na África e no Oriente Médio, o vírus chegou e contaminou mais de 40 mil pessoas em curto espaço de tempo. Um grave problema de saúde pública.

Por causa desse fluxo intenso de pessoas pelo Brasil, devido ao processo imigratório e migratório, a orientação do Ministério da Saúde é para que pessoas que trabalham em setores que façam interface com essa população, como profissionais de transporte público, de rodoviárias, taxistas e profissionais do turismo, que nasceram a partir de 1960, se imunizem contra o sarampo. Bem como as pessoas que costumam transitar pelo país ou fazer viagens internacionais, em especial pela Europa. Assim teremos uma sociedade mais responsável e protegida.

É secretário de Saúde de Piracicaba