Vacinação contra sarampo e poliomielite: uma questão de cidadania que evita mortes

O desempenho da Campanha Nacional de Vacinação Contra Poliomielite e Sarampo em Piracicaba tem preocupado o governo municipal e, em especial, a Secretaria de Saúde. Mesmo com todo trabalho de divulgação que estamos desenvolvendo e o apoio irrestrito da imprensa para levar informações a respeito do assunto aos quatro cantos da cidade, os números indicam que os pais ainda não se sensibilizaram sobre a importância da imunização de seus filhos contra essas duas graves doenças.

Até o último dia 15 tínhamos alcançado apenas um terço da meta estabelecida pelo Ministério da Saúde, que é vacinar cerca de 18 mil crianças até o dia 31 de agosto, quando encerra a campanha. O município está abaixo, inclusive, do índice do Estado de São Paulo, de aproximadamente 41% de cobertura. A expectativa é de que hoje, 18/08, com o Dia D de mobilização nacional contras essas doenças, o cenário comece a se modificar.

Estamos falando das mesmas campanhas que em anos anteriores foram realizadas com êxito no município. Tanto que a cidade é considerada um exemplo em cobertura vacinal pela qualidade do trabalho da Vigilância Epidemiológica junto à rede de saúde, alcançando sem estresse as metas oficiais.

No entanto, exatamente devido à baixa cobertura vacinal, há uma alerta do próprio Governo Federal sobre a possibilidade de termos que conviver novamente com essas doenças. A paralisia infantil traz danos físicos irreversíveis às crianças, prejudicando seu desenvolvimento para o resto da vida. O sarampo, dependendo da saúde da criança, pode matar, o que nos leva à convicção, como gestores da saúde pública, de que não faz sentido essa rejeição à vacina.

Temos acompanhado sim que há uma onda antivacina na Europa. São pais que decidiram não vacinar seus filhos, seja por crenças filosóficas, religiosas, medo dos efeitos colaterais ou porque são contra a “indústria da imunização”, alegando eventos adversos decorrentes da vacina. E já há sinais de que esse movimento de desinformação chegou ao Brasil, o que estaria por traz dessa baixa adesão à campanha. Creio que haja ainda pessoas acreditando que são doenças distantes, que jamais acometerão componentes de seu núcleo família. Ledo engano.

Até o momento, no Brasil, foram confirmados 6 óbitos por sarampo, sendo 4 óbitos no estado de Roraima e 2 óbitos no estado do Amazonas decorrentes de dois surtos de sarampo, que se originaram na fronteira do Brasil com a Venezuela. Só que os casos vêm se espalhando pelo país. Até o dia 14 de agosto, foram confirmados 910 casos de sarampo no Amazonas, outros 5.630 permanecem em investigação. Em Roraima foram confirmados 296 casos, sendo mais 101 em investigação. Em São Paulo, temos confirmado 1 caso, 14 no Rio de Janeiro, 13 no Rio Grande do Sul, 1 em Rondônia e 2 no Pará.

A imunização é uma questão de cidadania, porque o contágio dessas doenças é multiplicador, colocando em risco toda a comunidade. A criança vacinada protege a si e a outras pessoas, incluindo as que não respondem à vacina e as que não podem recebê-la porque são transplantadas ou têm doença imunossupressora. Tanto é que hoje na França, entre outros países, há lei que obriga os pais a vacinarem seus filhos sob pena de punição. Acreditamos que não seja necessário chegarmos a esse rigor, desde que os pais caiam em si e percebam o grande equívoco que estão cometendo, colocando em risco a vida dos seus próprios filhos.

Com responsabilidade social, acreditamos que Piracicaba reverterá esses cenários que se anunciam e nos manteremos longe do risco de termos de volta essas duas doenças que podem ser eliminadas com um simples gesto cidadão. Vacine seu filho contra o sarampo e a poliomielite!

É secretário de Saúde.

(Pedro Antonio de Mello)