Vacinar-se contra a gripe é questão de responsabilidade

Não existe ainda método preventivo contra gripe (influenza) melhor que vacina. É uma conquista da ciência, com alta eficácia, produzida em escala industrial e distribuída gratuitamente pelo Ministério da Saúde para todo o país. Sua composição é atualizada anualmente com base nos tipos dos virus circulantes no inverno europeu, que antecede ao brasileiro, e que provavelmente circularão no Brasil. Trata-se, portanto, de uma prevenção segura e bem tolerada, pelo fato de ser produzida com fragmentos de vírus inativados.

 

A definição dos públicos prioritários para receber a vacina segue critério técnico, com base em estatísticas sobre vulnerabilidade à doença. Por isso a escolha das crianças de seis meses a menores de 6 anos, gestantes, puérperas, trabalhadores da saúde, professores, indivíduos a partir de 60 anos, pessoas portadoras de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais, policiais civis e militares, bombeiros e membros ativos das Forças Armadas. Se existe um problema nesse processo que merece observação é o fato de a campanha não ser universalizada, ou seja, com vacina disponível para todas as pessoas que precisam (grupos prioritários) e também as que desejam se imunizar.

 

Havia a proibição da vacina contra gripe para pessoas com alergia grave ao ovo, pelo fato de sua fabricação passar pelo cultivo de vírus tendo clara e gema como substrato. Nesse caso, os traços do ovo poderiam levar a uma reação anafilática séria. Mas com a evolução do processo e a redução de ovo na produção das doses, a probabilidade de um evento adverso alérgico reduziu substancialmente. Além de que as pessoas com alergia grave ao ovo podem receber a dose em uma UPA, para que a imunização ocorra com segurança.

Com toda essa evolução científica, com todo esse trabalho de conscientização, seja por parte do poder público, da imprensa, que tem nos ajudado imensamente durante os períodos de campanha, enfim, com todo o empenho de setores da sociedade para se prevenir, há ainda um alto índice de pessoas que precisariam ser imunizadas mas que simplesmente não procuram os postos de saúde. Por desinformação, crença ou qualquer outro motivo, gera-se um fator preocupante para toda a sociedade. Porque o risco do contágio se multiplica exponencialmente quando inicia a propagação do vírus. Lembre-se que a transmissão se dá por via aérea e pelo contato e o agravamento da doença pode resultar em síndrome respiratória aguda grave (SRAG), que pode levar ao óbito. Uma pessoa doente, portanto, transmite o vírus, o que torna toda a população vulnerável. Vacinar-se contra a gripe é questão de responsabilidade.