Vício em videogames configura distúrbio mental, aponta a OMS

Presentes nos computadores, videogames e celulares de cada vez mais pessoas ao redor do mundo, os jogos eletrônicos já são parte do cotidiano de muita gente. Porém, uma nuance negativa desses softwares veio à tona recentemente, após a OMS (Organização Mundial da Saúde) considerar, pela primeira vez, o vício em games como um distúrbio mental.
 
A resolução caracteriza o distúrbio como o padrão de comportamento dependente, frequente ou persistente, tão grave que leva o viciado “a preferir os jogos a qualquer outro interesse na vida”. A caracterização será incluída no CID (Código Internacional de Doenças), que terá uma nova versão em 2018.
 
Para quem lida com saúde mental, a nova determinação só oficializa uma realidade conhecida. “Já tive casos de pais trazerem pré adolescentes que passavam muitas horas em games. O tratamento proposto foi a psicoterapia, para resolução de conflitos que poderiam estar gerando o vício”, diz Graciela Marasca, psiquiatra clínica e psicoterapeuta de orientação analítica.
 
A especialista ressalta os sinais de alerta que devem ser observados pelos pais. “Passa a ser problemático quando os filhos começam a isolar-se das atividades com amigos, família, escola. O ideal, é que o jogo seja considerado um momento de diversão e brincadeira. Não pode durar o dia todo ou atrapalhar o cotidiano”, afirmou a psiquiatra.
 
A normativa da OMS também é vista com bons olhos por quem trabalha com desenvolvimento de jogos eletrônicos, porém, há ressalvas. “Também poderíamos enquadrar as pessoas que passam muito tempo em redes sociais ou na internet como viciados. O que não se pode fazer é generalizar uma atitude de entusiasmo com casos mais explícitos, como os que a resolução pretende abordar”, salienta o programador Cleyton Palauro.
 
O técnico em informática Marcos Camargo, que dedica cerca de 50 horas semanais para jogar League Of Legends, Counter Strike, entre outros games, acredita que o limite para uma atividade saudável é a diversão. “Jogo nos momentos de lazer para relaxar após o trabalho às vezes ou me distrair. Me reúno com amigos virtualmente através de softwares de comunicação e damos umas risadas”, conta Camargo.
 
A recomendação médica é que haja abordagem familiar juntamente a psicoterapias que ajudem o paciente viciado em games a reconhecer o dano e como agir para evitar recaídas.