Vida, morte e resistência

Escrevo numa sexta-feira quente e cansativa, mais especificamente em 30 de novembro de 2018, enquanto muitas pessoas ainda estão esperando seus novos “brinquedos” adquiridos no Black Friday da semana passada ou, ainda, programam seu sensacional final de semana ou de ano. Sexta-feira é um dia horroroso para os jornalistas, pois é, não vivemos a alegria das 18h, ao contrário, cada vez que olhamos para o monitor do computador, o relógio pulou uma hora sem dar aviso. Tudo é pressa, ansiedade e a tentativa de ser perfeito nas poucas horas restantes do fim do dia. Sim, pura ambição pseudo-intelectual. Os jornalistas, especialmente, os de veículos impressos sempre foram considerados grandes intelectuais, formadores de opinião e zelosos guardadores da língua portuguesa, suas próclises, mesóclises, ênclises e afins.

Hoje, fora o presidente Michel Temer (PMDB), ninguém sabe ou usa esse tipo de ferramenta linguística. É um tal de: vc, pfv e ok que substituem o estilo formal, que para muitos é um sacrilégio, uma blasfêmia. Enfim, a língua, mudou, o mundo se transformou e o homem se plastificou, mas ainda não aprendemos a lidar com nossos calos. Amanhã, mais uma vez, desde a década de 1980 – quando ter telefone em casa era um sinal de riqueza e as fitas K-7 em tocas-fitas portáteis nos enchiam de orgulho, assim com ter um par de tênis All Star cano alto ou compras no Paraguai- vamos lembrar a luta contra a aids. Pois é, àquela doença que muitas pessoas ignoram, mas que ainda não tem cura e que destrói a imunidade do organismo humano, por isso mesma foi e, ainda é, tão devastadora.

Ainda temos novos casos na cidade: foram 102 casos no ano passado e, até novembro deste ano, 72 novos casos de infecção por HIV. Isso significa que são pessoas que contraíram o vírus, mas não manifestam a doença. Graças à evolução da medicina e da pesquisa: a detecção, o tratamento e os programas de prevenção têm outro nível atualmente, mas ainda não foram suficientes para acabar com a doença. Por quê? Ousar dar apenas uma resposta seria infantilidade e tolice de gente ignorante.

A aids nos faz pensar sobre como jogamos com a vida e, ao sentirmos que ela escapa, entendemos o que é mais valioso para cada um de nós. Essas linhas não podem te responder nem isso, já que cada humano tem seu tesouro pessoal: joias, carros, dinheiro, status, poder, sucesso, fama e, para uns mais inteligentes, a possibilidade de acordar e sentir que viver é uma dádiva.

(Alessandra Morgado)