Violência doméstica preocupa Delegacia de Defesa da Mulher

Vítima de violência doméstica afirma que se sentia aprisionada pelo companheiro (Foto: Claudinho Coradini/JP) Vítima de violência doméstica afirma que se sentia aprisionada pelo companheiro (Foto: Claudinho Coradini/JP)

A vítima de violência doméstica nem sempre percebe que está em um relacionamento abusivo, pois geralmente o companheiro, ou outro membro da família começa com uma ofensa, que tende a ficar mais acalorada, partindo para um puxão de cabelo, proibindo a mulher de sair e assim, a deixando como prisioneira de alguém que deveria amá-la. Foi dessa forma que uma autônoma de 24 anos definiu seu relacionamento com o companheiro, com quem conviveu por cinco anos. Nem mesmo uma medida protetiva impediu-o de ser aproximar da vítima. Somente depois da prisão do agressor, pela Guarda Civil, ela afirmou que finalmente voltou a sentir-se livre novamente.

A autônoma disse que perdeu as contas de quantas vezes foi agredida. A primeira vez, aconteceu quando ainda tinham seis meses de namoro. “Na época não foi tão grave, tivemos ‘apenas uma discussão’ mais grave, mas com o tempo foi ficando cada vez pior. Ele me ameaçou de morte e me bateu”, afirmou a vítima.

Segundo ela, com o passar do tempo ele foi ficando cada vez mais agressivo e ciumento, o que deixou ela com medo de sair de casa. “Geralmente sempre fico em casa e só saio para levar meu filho à escola. Basta demorar um pouco a mais para ter motivo para mais uma discussão em casa”, desabafou.

PRISÃO

A vítima conseguiu a medida protetiva, mas nada o impedia de entrar em casa, pois chegava a pular o muro. Após ser agredida e ameaçada de morte mais uma vez, ela conseguiu entrar em contato com a Guarda Civil, e o agressor foi preso por descumprimento de medida protetiva. Romper o ciclo de violência não é uma tarefa fácil, segundo a psicóloga e criminal profiler (define perfil de criminosos) Érika Penha. Segundo ela, nem sempre o ciclo de violência que culmina no assassinato segue essa ordem, mas a mulher deve ficar “atenta aos sinais”, pois ela considera a ameaça como a “primeira tentativa” de feminicídio (termo usado para denominar assassinatos de mulheres cometidos em razão do gênero).

“O agressor geralmente começa aos poucos, primeiro culpa a mulher por tudo de errado que acontece no namoro ou casamento. Aos poucos, a mulher passa a ficar doente psicologicamente, pois não enxerga que está em um relacionamento abusivo e acredita que não vai conseguir outro companheiro melhor, e acaba se permitindo em ficar naquela situação”, comentou a psicóloga.

NÚMEROS

Os números da violência em Piracicaba são alarmantes. Sete casos de violência contra a mulher, que também engloba estupro, são registrados por dia, em Piracicaba, na DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) da cidade. Em 2018, foram 2.711 casos. Desse total, foram instaurados apenas 881 inquéritos policiais e 431 medidas protetivas, conforme divulgado recentemente pela Rede de Atendimento e Proteção à Mulher Vítima de Violência, composta por órgãos do Executivo, Legislativo e Judiciário e também por instituições da sociedade civil, coordenada pelo CMM (Conselho Municipal da Mulher).

Cristiani Azanha